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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Up - Altamente! (V.P. - 3D), por Tiago Ramos



Título original: Up (2009)
Realização: Pete Docter e Bob Peterson
Argumento: Pete Docter e Bob Peterson
Elenco de vozes: Edward Asner, Christopher Plummer , Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, Jerome Ranft e John Ratzenberger

E se por momentos fosse possível pedir ao tempo para parar e voltarmos a ser crianças? Parece que foi isso que aconteceu a Carl, uma das personagens mais comoventes dos filmes de animação dos últimos anos. Up - Altamente! é precisamente a história de quem se esquece da idade e volta à aventura e à infância despudoramente e sem receios.



E o novo filme da Disney/Pixar tem nos seus primeiros 20 minutos o maior apanágio de todos. Numa bela homenagem ao cinema mudo, vemos passar diante dos nossos olhos a história de um velho que já foi criança, que já sonhou e que já teve ambição e planos para o futuro, mas que agora vê-se na figura deprimida de quem já não tem forças para mais. São uns primeiros minutos belíssimos, mas quase sufocantes e literalmente de fazer o espectador mais frio vir às lágrimas, onde sem pudores se reconstitui toda uma história de vida, onde nem a morte é esquecida. Um início muito adulto que me agradou de facto.

Porém Up - Altamente! tem um grande defeito. Não consegue equilibrar os géneros que se cruzam na mesma tela. Entre um dramatismo exacerbadamente adulto, vemo-nos de repente lançados perante uma comédia por demais pueril ou um registo de aventura muito acelerado. E é precisamente esse desequilíbrio que faz o filme menor do que poderíamos supor. Ora entre um drama que aborda temas como o aborto espontâneo, a velhice e a morte e uma fábula onde cães conduzem aviões, não existe um meio termo que o defina. Esta segunda parte prima pela excentricidade e pelo exagero desnecessário e torna-se na parte que, talvez, conduz o filme de Pete Docter e Bob Peterson a uma certa indefinição.



Contudo, Up conseguiu-me agradar bastante mais que o seu antecessor WALL-E, o que por si só já o torna melhor. Tecnicamente é excelso, com uma grande referência para o realismo das cenas passadas na cidade, com destaque para os edifícios e veículos e inclusive para a edição sonora. As cenas em que Carl vê a sua casa pelos ares, impelida por um enorme conjunto de balões é por demais soberba e detalhada, para ser ignorada. Uma prova da supremacia técnica que a Pixar atingiu e que parece não ver barreiras. Também a imensa paleta de cores deixa-nos estupefactos. E não esqueçamos, claro está, a banda sonora de Michael Giacchino: soberba e adulta, fantasticamente bem incluída em todos os momentos do filme.

Em termos de entretenimento, Up - Altamente! consegue abranger diversos géneros e embora não tenha um humor muito refinado, consegue convencer e garantir algumas boas gargalhadas, mesmo que alguns gags sejam bastante físicos ou infantis. Já a construção das personagens revela-se o melhor do filme com destaque para o velho Carl, que nos remete para o Walt Kowalski de Gran Torino (2008) e o divertido Russel, uma criança com espiríto aventureiro e curioso, que poderá certamente ser reconhecido por algumas crianças, dado ao anúncio dos seus pais pouco presentes.



O 3D de Up - Altamente! não é o melhor dos que já vi e embora claramente subtil e bem concebido, não vale a pena a taxa extra. Não podemos descurar a excelente tradução portuguesa que, com certeza, não ficará a dever em nada à original e que mais uma vez confirma a excelêncie a coerência das equipas portuguesas.

Up - Altamente! torna-se num dos melhores do ano, mas claramente não o melhor. É uma mistura de géneros (drama, comédia, aventura) que a dada altura não se imiscui da melhor forma, porém apresenta uma das mais belas histórias de amor e amizade já apresentadas no Cinema e fará todos nós sonhar e acreditar que a ambição e a esperança nunca morrem.


Classificação:



quinta-feira, 13 de agosto de 2009

UP - Altamente! (V.P. - 3D), por Carlos Antunes

http://sfstategatorbuzz.files.wordpress.com/2009/06/up_pixar_one-sheet_poster_022.jpg

Título original:
Up
Realização: Pete Docter e Bob Peterson
Argumento: Bob Peterson e Pete Docter
Elenco: Edward Asner, Christopher Plummer e Delroy Lindo

Depois de Ratatouille e Wall-E estamos demasiado mal habituados para sairmos verdadeiramente satisfeitos da visualização de Up.
Isso não é, no entanto, sinal de um mau filme.

http://images.rottentomatoes.com/images/movie/gallery/1195997/photo_19_hires.jpg

Acima de tudo porque, como é boa norma da Pixar, continuam a apostar na qualidade narrativa, mesmo que desta vez seja em pequenos segmentos que tal mais se evidencia.
Logo no início, uma longa e silenciosa chegada ao ponto de situação de onde partirá a verdadeira aventura é feita com uma incrível inteligência e delicadeza, ainda que com um inesperado dramatismo.
Ainda que a Pixar nunca tenha tratado o seu público – quer juvenil quer adulto – de outra forma que não com todo o respeito de quem acredita nas capacidades de quem está a assistir, nota-se a reacção de tristeza e algum receio que as crianças na sala têm.

http://images.rottentomatoes.com/images/movie/gallery/1195997/photo_28_hires.jpg

Isso é, depois, deixado um pouco de lado na aventura colorida e dinâmica que se segue que vai falar dessa lição muito simples, de que todas as possibilidades são ainda possíveis independentemente da idade que se tem e que a vida não termina nas memórias, mas tem de ser impelida por elas.
Lição que não é única, pois a seu lado surge a evidência da necessidade que as crianças têm de uma figura paterna presente e dedicada e de como a procurarão das formas mais inusitadas.
Pelo meio dos divertidos sketches, a Pixar nunca deixou de criar alguns dos mais clarividente e directos filmes sobre os males modernos das relações familiares. Um acto de coragem, não menos do que isso.

http://thekee.files.wordpress.com/2009/07/up-pixar9.jpg

A par da qualidade da narrativa, a Pixar continua, com muita distância, a apresentar os filmes com maior qualidade técnica, desta vez em fabuloso 3D, que só teve rival no recente Ice Age 3.
Só que a qualidade técnica da Pixar está para lá do efeito 3D, é de origem e bastaria o detalhe daquele conjunto de balões que já se antevia no trailer para o provar.
O efeito 3D da Pixar não está a saltar do ecrã com um qualquer truque, é antes uma ferramenta para compôr a profundidade e a qualidade das imagens.

http://weblogs.wgntv.com/news/wgn-news-blog/pixar%20up%20balloons.jpg

Up é o filme da Pixar que vem relembrar que são precisos filmes (um pouco) menos conseguidos para que se desenvolvam técnicas, efeitos e talentos, pois o Cinema raramente foi feito somente de obras-primas.
E, claro, é também o filme que vem relembrar o quanto mais apreciamos as obras-primas da Pixar quando elas não nos são entregues a todo o momento.

http://images.rottentomatoes.com/images/movie/gallery/1195997/photo_12_hires.jpg

Ainda uma nota para a versão portuguesa do filme.
Embora seja irritante poder apenas ter acesso à versão 3D em português e não no original, este é um caso de imensa qualidade, algo que se tornou bastante comum desde que as dobragens começaram na primeira metade da década de 1990, e que continua, neste caso.
A escolha de vozes é de um incrível acerto e os actores dão o melhor de si com elas.



http://images.rottentomatoes.com/images/movie/gallery/1195997/photo_24_hires.jpg