Realização: Carlo Ledesma
Argumento: Enzo Tedeschi e Julian Harvey
Elenco: Bel Deliá, Andy Rodoreda e Steve Davis
A novidade em The Tunnel (e no facto de este merecer uma crítica no blogue, já que não estreou sequer comercialmente em Portugal) é precisamente o seu método de distribuição, que merece algum destaque e pode significar um novo fôlego na área já saturada e dinamitada pelos poucos escrúpulos das produtoras e distribuidoras. Assumindo que há a necessidade de alterar os métodos através dos quais os filmes chegam ao consumidor final e reconhecendo as suas alternativas modernas (e ilegais), a produtora australiana decidiu vender cada frame do filme por 1 dólar, sob a promessa de o distribuir legalmente no Torrentz, para download gratuito. Entretanto e atenta à publicidade do filme, a Paramount comprou os direitos para editar o filme em DVD, mas os produtores mantiveram a promessa e o filme saiu simultaneamente em DVD e através de torrent. Esta forma inovadora de distribuição poderá ser a mudança que o mundo do cinema necessita para se libertar do progressivo distanciamento do espectador.
The Tunnel é também inteligente no seu conceito: assumindo e fundido as várias tendências actuais do cinema: o mockumentary e as filmagens handycam, estilo amador, celebrizadas por filmes como [Rec] (2007) e Cloverfield (2008). Embora não traga nada de novo ao género, é competente na forma como insere o espectador na história, com bastante verosimilhança (parte da tentativa do governo australiano de resolver o problema da crise da água, através da sua reciclagem em túneis abandonados), apresentado-nos à história com recurso a entrevistas com os "intervenientes" e partindo para o típico found footage.
O argumento construído para estimular a tensão do espectador é bem concebido através da inserção de algum material subtil que adiciona textura às personagens, aparentemente planas, da história, misturando com os factos crus da televisão. Nada de substancial, é verdade, mas suficiente para que o filme não seja uma simples sucessão de acontecimentos monótonos, Esses pequenos pormenores acabam por criar um interessante conjunto final, bastante sólido para o género, com recurso a uma ambiente tenso e claustrofóbico. Também os desempenhos, praticamente amadores, dos actores do filme, contribuem para imprimir veracidade à história.
The Tunnel resulta da nova vaga de filmes de terror iniciada por The Blair Witch Project (1999) e que se prolonga para filmes como Paranormal Activity (2007), mas a perícia do realizador Carlo Ledesma resulta num filme bem mais interessante e ligeiramente superior a estes. Não que a história seja inovadora, não que a sua concepção seja algo original. Falso realismo não é suficiente para transmitir substância à película, mas The Tunnel ganha pontos pelo factor entretenimento.
A novidade em The Tunnel (e no facto de este merecer uma crítica no blogue, já que não estreou sequer comercialmente em Portugal) é precisamente o seu método de distribuição, que merece algum destaque e pode significar um novo fôlego na área já saturada e dinamitada pelos poucos escrúpulos das produtoras e distribuidoras. Assumindo que há a necessidade de alterar os métodos através dos quais os filmes chegam ao consumidor final e reconhecendo as suas alternativas modernas (e ilegais), a produtora australiana decidiu vender cada frame do filme por 1 dólar, sob a promessa de o distribuir legalmente no Torrentz, para download gratuito. Entretanto e atenta à publicidade do filme, a Paramount comprou os direitos para editar o filme em DVD, mas os produtores mantiveram a promessa e o filme saiu simultaneamente em DVD e através de torrent. Esta forma inovadora de distribuição poderá ser a mudança que o mundo do cinema necessita para se libertar do progressivo distanciamento do espectador.
The Tunnel é também inteligente no seu conceito: assumindo e fundido as várias tendências actuais do cinema: o mockumentary e as filmagens handycam, estilo amador, celebrizadas por filmes como [Rec] (2007) e Cloverfield (2008). Embora não traga nada de novo ao género, é competente na forma como insere o espectador na história, com bastante verosimilhança (parte da tentativa do governo australiano de resolver o problema da crise da água, através da sua reciclagem em túneis abandonados), apresentado-nos à história com recurso a entrevistas com os "intervenientes" e partindo para o típico found footage.
O argumento construído para estimular a tensão do espectador é bem concebido através da inserção de algum material subtil que adiciona textura às personagens, aparentemente planas, da história, misturando com os factos crus da televisão. Nada de substancial, é verdade, mas suficiente para que o filme não seja uma simples sucessão de acontecimentos monótonos, Esses pequenos pormenores acabam por criar um interessante conjunto final, bastante sólido para o género, com recurso a uma ambiente tenso e claustrofóbico. Também os desempenhos, praticamente amadores, dos actores do filme, contribuem para imprimir veracidade à história.
The Tunnel resulta da nova vaga de filmes de terror iniciada por The Blair Witch Project (1999) e que se prolonga para filmes como Paranormal Activity (2007), mas a perícia do realizador Carlo Ledesma resulta num filme bem mais interessante e ligeiramente superior a estes. Não que a história seja inovadora, não que a sua concepção seja algo original. Falso realismo não é suficiente para transmitir substância à película, mas The Tunnel ganha pontos pelo factor entretenimento.
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