quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Obituário: Greg Giraldo


10 de Dezembro de 1965 - 29 de Setembro de 2010

Faleceu, aos 44 anos de idade, o comediante Greg Giraldo, vítima de overdose acidental com medicamentos prescritos. Especialmente conhecido pelas suas performances de stand-up comedy, participava regularmente no programa Tough Crowd with Colin Quinn. Teve participações pontuais no cinema em filmes como Game Day. Recentemente trabalhava como júri no programa Last Comic Standing.

Vencedores do passatempo "A Fada dos Dentes"



Embora os prémios já tenham sido entregues há algum tempo, ficou em falta a lista de vencedores do DVD A Fada dos Dentes, que publicamos em seguida:

Andreia Isabel Oliveira da Silva
Maria Gabriela Caldeira Lima
Maria Miguel Pires Cravo Pinto

© 2010 FOX. Distribuído por CLMC – Multimédia, S.A. Todos os direitos reservados
http://www.castellolopesmultimedia.com/images/logohoriz2.jpg

Três primeiros posters de "Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I"

A máquina de marketing da saga Harry Potter parece estar agora a começar a funcionar a todo o vapor. Desta vez chegaram os três primeiros posters das personagens, tal como tem acontecido com os anteriores filmes da saga:

«Nowhere is safe»

As personagens Harry, Hermione e Ron estão em destaque nos posters. Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 estreia a 18 de Novembro de 2010, em Portugal.

Leia também:

Novo trailer de "Skyline"



Foi divulgado um novo trailer do thriller de ficção-científica Skyline:



Embora a história do filme não pareça fugir muito à regra dos filmes do género, uma espécie de disaster movie com invasões alienígenas, a verdade é que os efeitos especiais fazem-se notar num filme com um orçamento baixo como este. Os irmãos Colin Strause e Greg Strause são os realizadores de Skyline e foram também os responsáveis pelos efeitos especiais de Avatar.

No elenco, optaram por actores menos conhecidos do grande público como Eric Balfour (Blindness), Scottie Thompson (Star Trek) e David Zayas (The Expendables). Em Portugal, Skyline estreia a 30 de Dezembro deste ano.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Obituário: Arthur Penn


27 de Setembro de 1922 - 28 de Setembro de 2010

Faleceu, aos 88 anos de idade, o realizador Arthur Penn, vítima de doença prolongada. Tornou-se especialmente conhecido pela realização de Bonnie and Clyde, protagonizado por Warren Beatty e Faye Dunaway. O filme venceu dois Óscares: Melhor Actriz Secundária e Melhor Fotografia. O realizador foi ainda nomeado para três Óscares de Melhor Realizador: The Miracle Worker (1962), Bonnie and Clyde (1967) e Alice's Restaurant (1969).

Obituário: Sally Menke


17 de Dezembro de 1953 - 28 de Setembro de 2010

Faleceu, aos 56 anos, a editora Sally Menke, aparentemente vítima de um golpe de calor extremo em Los Angeles. Tornou-se especialmente conhecida por ter trabalhado em quase todos os filmes de Quentin Tarantino, de quem era grande amiga e que não raras vezes dava conselhos ao realizador em áreas como o argumento ou direcção artística. Foi duas vezes nomeada para o Óscar de Melhor Montagem: Pulp Fiction (1994) e Inglourious Basterds (2009).

Estreias 30 Setembro'10: Embargo, La Pivellina, Tamara Drewe, Daybreakers, Eat Pray Love, Hachiko, Fifty Dead Man Walking, Vampires Suck e Tinker Bell

Amanhã, dia 30 de Setembro, pode contar com as seguintes estreias numa sala de cinema perto de si:

Destaques:

Embargo (Embargo)

Ano: 2010
Realização: António Ferreira
Argumento:
José Saramago e Tiago Sousa
Género: Comédia, Drama
Elenco: Filipe Costa, Cláudia Carvalho, Pedro Diogo e José Raposo
Nuno trabalha numa roulotte mas desde sempre teve um espírito criativo. Um dia, descobre algo realmente revolucionário: um digitalizador de pés que transformará, para sempre, toda a indústria do calçado. Mas, quando tudo parece estar a jogar a seu favor, o inesperado acontece: fica fechado no seu próprio carro e, para seu total desespero, parece que nada, nem ninguém consegue resolver o problema. Com realização de António Ferreira é adaptação de um conto de José Saramago, integrado no livro "Objecto Quase", publicado em 1978.

Outras sugestões:

La Pivellina (La pivellina)

Ano: 2009
Realização: Tizza Covi e Rainer Frimmel
Argumento: Tizza Covi
Patty e o marido, Walter, são artistas circenses a viverem num parque de campismo nos arredores de Roma. Num dia de Inverno, Patty encontra, abandonada e ao frio num parque infantil, uma menina de dois anos com um bilhete de uma mãe desesperada a pedir que cuidem da criança. Mesmo contra a vontade de Walter, a mulher resolve manter a criança consigo e, com o passar do tempo, todos se redescobrem no seio daquela família. Assim vão nascendo vínculos que se tornam cada vez mais fortes. Até ao dia em que Patty recebe uma carta da mãe da criança a informar que está de regresso. E, repentinamente, tudo à sua volta parece desmoronar-se... Um filme, de Tizza Covi e Rainer Frimmel, premiado em Cannes, Gijón e Valdivia (Chile).


Tamara Drewe (Tamara Drewe)

Ano: 2010
Realização: Stephen Frears
Género: Comédia, Drama
Elenco: Gemma Arterton, Dominic Cooper, Luke Evans e Tamsin Greig

Quando Tamara Drewe (Gemma Arterton) decidiu abandonar a cidade por uns tempos e regressar à pequena vila que a viu crescer, não imaginava o caos que por lá iria provocar. Depois de alguns anos ausente, a jovem, que sempre fora uma espécie de patinho feio, volta absolutamente deslumbrante, descontraída e de bem com a vida. Mas, apesar disso, a aparente auto-estima de Tamara tem algumas lacunas por preencher que vão ser a causa de uma série de problemas entre todos. Uma comédia de sabor amargo realizada por Stephen Frears ("Alta Fidelidade ", "Ligações Perigosas", "A Rainha").

Daybreakers - O Último Vampiro (Daybreakers)

Ano: 2009
Género: Acção, Aventura, Thriller
Elenco: Ethan Hawke, Willem Dafoe e Sam Neill

2019, todo o planeta está infestado por um vírus que transmutou quase todos os seus habitantes em vampiros. Os poucos humanos que restam são criados em cativeiro, apenas para servir as necessidades de sangue humano, necessário à sobrevivência das malignas criaturas. Mas a extinção dos humanos é iminente e os vampiros têm de encontrar, o quanto antes, um substituto para o sangue após a extinção total da Humanidade. Edward Dalton (Ethan Hawke) é um cientista vampiro que, quando conhece Audrey (Claudia Karvan), uma sobrevivente humana em busca da salvação da sua raça, vai fazer de tudo para mudar o curso dos acontecimentos.


Comer Orar Amar (Eat Pray Love)

Ano: 2010
Aos 30 anos, Liz Gilbert (Julia Roberts) tem tudo o que poderia desejar: uma relação estável, independência monetária e uma carreira de sucesso. Mas, um dia, sem que nada o previsse, tudo se desmorona numa arrasadora crise conjugal que culmina num divórcio que a arrasta para uma profunda depressão. Decidida a não se deixar levar pela tristeza, Liz resolve fazer uma pausa de um ano e ingressar numa grande viagem. E é assim que, viajando até Itália, ela conhece o prazer da comida; na Índia compreende o poder da meditação e, finalmente, na Indonésia encontra o balanço perfeito e redescobre o amor. E serão esses 12 meses, cheios de novas tonalidades, culturas e pessoas, que irão transformar a sua vida para sempre. O filme, realizado por Ryan Murphy (das séries Nip/Tuck e Glee), é baseado no livro de Elizabeth Gilbert sobre a sua experiência pessoal que, para além de se ter tornado um êxito de vendas, se transformou numa espécie de roteiro de viagens para milhões de pessoas em todo o mundo.

Hachiko - Amigo para Sempre (Hachiko: A Dog's Tale)

Ano: 2009
Para Parker Wilson (Richard Gere), professor de música na universidade, a chegada do cão "Hachi" foi um acontecimento feliz. A cumplicidade entre os dois foi instantânea e eles não mais se largaram: "Hachi" acompanhava o seu dono todos os dias até à estação de comboio onde, todas as noites, o esperava. Mas, um dia, Parker não regressou, e "Hatchi" continuou a esperar. O cão esperou sempre, até ao dia da sua morte. E, por força de perseverança e fidelidade, o animal tornou-se numa lenda, mudando todos aqueles que conheciam sua história. Com realização de Lasse Hallström ("As Regras da Casa", "The Shipping News"), é baseado na história verídica contada já antes no filme "Hachikô Monogatari" (1987), pelo realizador japonês Seijirô Kôyama.

Na Senda dos Condenados (Fifty Dead Man Walking)

Ano: 2008
Género: Thriller
Elenco: Ben Kingsley, Jim Sturgess e Rose McGowan

Baseado na história real de Martin McGartland (Jim Sturgess), um jovem de Belfast que é recrutado pela polícia para se infiltrar no IRA. McGartland vai dando informações à polícia, até que é descoberto e torturado. Consegue, apesar disso, fugir e contar a sua história.

Ponha Aqui o Seu Dentinho (Vampires Suck)

Ano: 2010
Género: Comédia
Elenco: Jenn Proske, Matt Lanter e Ken Jeong

Na pequena cidade de Spock, perto de Washington, algo de bizarro se passa: o seu índice populacional está a tornar-se cada vez mais reduzido devido a uns ataques mortíferos causados por criaturas que a polícia ainda não conseguiu identificar. Becca Crane (Jenn Proske) é uma rapariga solitária que, vinda de Phoenix, acabou de chegar a Spock e se debate com algumas dificuldades em se enquadrar a essa nova realidade. Tudo parece compor-se quando conhece Edward Sullen (Matt Lanter), um vampiro de uma beleza extraordinária, que, tal como ela, sofre as dores da incompreensão, vendo em Becca a sua alma gémea. Mas os problemas de Becca agravam-se quando dá de caras com Jacob (Chris Riggi) que, para além de inacreditavelmente atraente e apaixonado por si, também não pertence à raça dos humanos. Quando Becca começa a ser perseguida por três perigosos vampiros que se parecem com estrelas de música pop, Jacob e Edward deixam de lado os seus ressentimentos e decidem proteger a amada. Realizado pela dupla Jason Friedberg e Aaron Seltzer ("Epic Movie", "Uns Espartanos do Pior"), uma sátira aos três filmes da saga "Crepúsculo".

Sininho Salva as Fadas (Tinker Bell and the Great Fairy Rescue)

Ano: 2010
Realização: Bradley Raymond
Argumento:
Joe Ansolabehere e Paul Germain
Género: Animação
Elenco de vozes: Kristin Chenoweth, Michael Sheen, Mae Whitman, Lucy Liu e Jesse McCartney

Muitos anos antes de conhecer Peter Pan, Wendy ou os Meninos Perdidos, a fada Sininho (voz de Mae Whitman) teve um encontro muito especial com uma menina chamada Lizzie (Lauren Mote). E entre elas nasceu uma amizade tão profunda que iria mudar, para sempre, as suas existências. Uma animação que dá continuidade ao filme "Sininho" (2008), também realizado por Bradley Raymond, e que se inspira numa das mais carismáticas personagens criadas por J. M. Barrie: Sininho, a minúscula fada eternamente apaixonada por Peter Pan.

Estreou a 29 de Setembro:

Filme do Desassossego (Filme do Desassossego)

Ano: 2010
Realização: João Botelho
Argumento:
João Botelho e Fernando Pessoa

A acção decorre em três dias e três noites, num quarto de uma casa na Rua dos Douradores, em Lisboa. Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros, é um homem solitário e atormentado que vai anotando os seus pensamentos e angústias num livro, que intitula de "Livro do desassossego"... Realizado por João Botelho, uma adaptação cinematográfica da mais autobiográfica obra de Fernando Pessoa, teve o apoio do Ministério da Cultura/Ica, Câmara Municipal de Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian e Rádio e Televisão de Portugal.

Sinopses: Cinecartaz Público

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Primeiras impressões: The Event


The Event estreou nos EUA na semana passada, após algum burburinho e especulação em seu redor. Com estreia marcada para dia 6 de Outubro em Portugal, a série promete drama, acção e mistério, não escondendo uma tentativa de posicionamento no buraco deixado por LOST. Ainda assim, estreia-se com um episódio interessante e demarcado das restantes novidades da temporada.


Infelizmente, o primeiro episódio nada parece revelar sobre a estrutura planeada para a série. Durante os primeiros segundos, é mostrado um cenário de pânico, repentinamente cortado para o primeiro dos inúmeros flashbacks que preenchem o episódio. Mesmo com ecrãs de título para apresentar personagens ou o intervalo de tempo em que decorrem, os flashbacks tornam-se um pouco difíceis de acompanhar, o que nem sempre é negativo: muitas vezes, é mais interessante descobrir de que maneira uma cena encaixa no que já se viu do episódio, do que propriamente prestar atenção aos eventos nela apresentados. Não que os personagens sejam desinteressantes, mas a dinâmica das suas relações é explorada de forma bastante repetitiva. A complexidade dos flashbacks acaba por gerar a repetição de cenas por perspectivas diferentes, o que facilita o acompanhamento da narrativa mas também se revela um pouco cansativo. No final, acabamos por observar 5 minutos de acção, intercalados por notas de rodapé sobre o passado dos personagens. Mas é precisamente a junção de todas essas notas que fazem um interessantíssimo apontamento no final do episódio, fazendo o espectador questionar o que realmente se está a passar.


[Aviso: este parágrafo poderá conter ligeiros spoilers sobre o episódio]
Os fãs de LOST poderão ter algum do interesse pelo final do episódio arruinado – basta reconhecer alguns efeitos sonoros e visuais semelhantes aos dessa série para adivinhar o que acontece a seguir. Embora muitos tenham julgado precipitadamente a série como algo muito colado a LOST, o enredo não parece querer caminhar nesse sentido. A própria introdução do "presidente dos EUA" como um personagem central remete imediatamente para o terreno de séries sobre as teorias da conspiração, muito ao estilo de Jericho.

A grande incógnita está, então, no que os próximos episódios possam ter para oferecer. A narrativa mostrada até agora apresenta um ritmo lento e um pouco repetitivo, com personagens e dramas relativamente genéricos. Ainda assim, o culminar do episódio é suficientemente compensador para intrigar e fazer aguardar o que se segue com alguma expectativa.

Passatempo Traição de Sangue (I)


Não queríamos deixar de assinalar o final da terceira temporada de True Blood, por isso temos um "passatempo-relâmpago" para premiar um dos nossos leitores com um exemplar do livro Traição de Sangue.
Basta criarem um pequeno slogan que inclua a palavra Sangue e o nome deste blog.
O prazo é curto, por isso depachem-se!



Regulamento:
- O passatempo decorre até às 20:00 do dia 30 de Setembro, sendo excluídas todas as respostas que chegarem depois desse prazo.
- Para participarem terão de preencher o formulário aqui apresentado com todos os dados solicitados.
- Os premiados serão escolhidos por um júri constituído por elementos do Split Screen entre todos aqueles que apresentarem uma participação válida e a escolha será definitiva a menos que se apresente um caso de fraude.
- O Split Screen reserva-se o direito de fazer uma selecção das respostas validadas quando se apresentarem circunstâncias duvidosas da legitimidade da origem das mesmas.
- O nome dos vencedores será publicado neste blogue e os mesmos serão avisados por email.
- Só serão permitidas participações a residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.
- Os custos associados ao envio dos prémios ficará a cargo dos participantes.
- O envio dos prémios ficará a cargo do Split Screen, não sendo este responsável por quaisquer danos ou extravios dos mesmos.
- Em caso de não concordar com alguma destas regras, deverá abster-se de participar.

Wall Street: O Dinheiro nunca Dorme, por Carlos Antunes


Título original: Wall Street: Money Never Sleeps
Realização: Oliver Stone
Argumento: Allan Loeb e Stephen Schiff
Elenco: Michael Douglas, Shia LaBeouf, Josh Brolin e Carey Mulligan

Wall Street: Money Never Sleeps é o filme que leva a perguntar onde está o Oliver Stone aguerrido e instintivo, mesmo inconveniente, que conhecíamos?
O realizador que corria o risco de errar - e foi errando - mas que dizia com os seus filmes aquilo que bem entendia com uma veemência visceral?
E nem precisa de ser o Oliver Stone da segunda metade dos anos 1980, mas mesmo o Oliver Stone que há dois anos fazia W. e dois anos antes disso WTC.


Olhemos primeiro para a importância do discurso económico do filme.
Sabe-se agora que Wall Street chegou como prenúncio da catástrofe que poucos conseguiam ou queriam prever.
Wall Street: Money Never Sleeps é apenas revisão da matéria, uma redacção sobre as causas e os efeitos de uma crise que vai a meio mas cujo início já nos foi explicado pelos media e mesmo pelo cinema (Capitalismo - Uma História de Amor).
Wall Street: Money Never Sleeps não só surge tarde como surge sem nada a acrescentar, nem na forma nem no conteúdo do discurso.
De novo com um pequeno conto moral a fazer as vezes de argumentação para aquilo que ele toma como leigos - que não nego que muitos sejam - e, pior, papalvos.


Em todo o caso, a irrelevância da moral poderia ficar um pouco esquecida se nascesse no espectador a mesma relação com os personagens que havia no original.
Uma relação com incerteza e sentimentos divididos, mas uma relação apesar de tudo.
Aqui o muito polido idealista Jake Moore (Shia LaBeouf) parece contraditório naquele ambiente. Com laivos de vingança, com fé cega, com determinação no futuro, que faz ele afinal ali? Não parece ter estofo, apenas parece disponível para ser manipulado.
A sua história sentimental com a filha de Gekko também não tem interesse particular, mas é a morte quase imediata do seu mentor Louis Zabel (mais um grande pequeno papel de Frank Langella) acaba com o mais interessante que ele tinha para dar - embora seja este acontecimento que deve ser o motor da trama que se segue.


Há algo pior a constatar, no entanto, de novo virando a atenção para Oliver Stone.
A sua garra não desapareceu apenas do seu trabalho como narrador, desapareceu também da personalidade que vincava na realização.
Oliver Stone desta vez parece submetido à convencionalidade dos estúdios, uma realização sem nada de distinto e repleta de “rodriguinhos” incompreensíveis
Se ficarem para ver as imagens que acompanham os créditos finais vão ver como em um minuto ele demonstra como o seu olhar se banalizou para um ponto do qual se receia que não consiga regressar.


No meio de tudo isto há o regresso de Gordon Gekko. É isto que vale aquela estrelinha ali no final da crítica.
Duas décadas depois ele voltou, com laivos de humanidade, mas implacável como sempre.
Os seus verdadeiros propósitos são evidentes, o guião não o resguarda nem um pouco, como é evidente o ponto final a que ele chegará.
Mas como Michael Douglas é um génio da sua arte, entre a pouca substância arranca algumas tiradas brilhantes com o jeito que só ele lhes sabe dar.
A forma contundente como ele resume as personagens de Wall Street ao seu carácter rastejante é memorável ao dizer sobre Zabel “No one else in this racket has had the balls to commit suicide. It's an honorable thing to do.”.


Wall Street: Money Never Sleeps é fastidioso, longo para além da conta e quase sempre sem ponta de interesse. As aparições de Gordon Gekko aliviam esse sentimento mas nunca por completo.
O original não precisava desta revisitação, mas talvez Oliver Stone precisasse. Afinal, “é a economia, estúpido”!