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domingo, 11 de outubro de 2015

Trailer para "Hail, Caesar!"


Josh Brolin, George Clooney, Scarlett Johansson, Channing Tatum, Ralph Fiennes, Tilda Swinton...

Há que parar em algum ponto dado a quantidade de grandes actores e escolhas inesperadas que os irmãos Coen trazem para o seu novo filme, Hail, Caesar!, cujo trailer já pode ser visto.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Um Homem Sério, por Tiago Ramos



Título original: A Serious Man (2009)
Realização: Ethan Coen e Joel Coen
Argumento: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed e Sari Lennick

Há cineastas que ganham estatuto e após essa atribuição quase espontânea, a verdade é que é difícil tirar-lhes mérito em qualquer produção que nos tragam. É o caso dos irmãos Coen, que depois de filmes como Fargo (1996), O Brother, Where Art Thou? (2000) e No Country for Old Men (2007), por mais que desiludam ou fiquem aquém das expectativas têm sempre uma hoste de fãs e críticos do seu lado. Foi o caso em 2008 de Burn After Reading e este ano com A Serious Man.



É o desejado regresso às comédias negras, cheio de apontamentos absolutamente geniais, numa espécie de fábula moral, inspirado em acontecimentos bíblicos. O protagonista é um homem judeu, com uma vida aparentemente bem-sucedida e medianamente feliz, mas cujo mundo começa a ruir subitamente. Esta premissa dá origem a uma satírica viagem ao universo judaico-americano dos anos 60. E se todos os elementos de tragicomédia estão presentes e dão origem a cenas memoráveis – veja-se a cena do bar mitzvah ou a cena inicial do walkman apreendido – a verdade é que falta a Um Homem Sério algo que lhe permita ganhar um sentido na cabeça do espectador.

Perdendo um ritmo mais corporal e rumando a um domínio espiritual que, de facto, dá origem a situações bizarras e hilariantes na sua serenidade, Um Homem Sério prima pela qualidade técnica e trabalho de realização. Aliás, este é um dos trabalhos recentes de Joel e Ethan Coen cuja realização mais nos fascina, pelo uso inteligente da câmara e que confirma a maturidade do trabalho dos cineastas. No domínio técnico, a fotografia de Roger Deakins (Revolutionary Road) é o mais deslumbrante de todo o filme, com planos belos, cores intensas e tons ocres que resultam bastante bem. Ou ainda nos podemos referir à excelente banda sonora da autoria de Carter Burwell, que tal como Roger Deakins, já trabalhou várias vezes com os irmãos Coen.



Já quanto às interpretações, a grande surpresa vem do protagonista Michael Stuhlbarg, praticamente desconhecido do grande público, mas que traz uma lição de profissionalismo a muitos actores de currículo invejável. O seu Lawrence Larry Gopnik integra de imediato a lista das melhores personagens do bizarro universo dos Coen. Um homem desesperado e intrigado perante as injustiças da vida e à semelhança do personagem bíblico Jó, tenta suportar todo o rol de desgraças que se lhe abatem repentinamente. A par da sequência inicial que reconstitui uma história do folclore judaico é este actor que traz das melhores cenas do filme.

E na verdade, é com a excelência técnica e o desempenho de Michael Stuhlbarg que o filme se destaca. Porque na componente narrativa, Um Homem Sério acaba por ser apenas um desfile de situações e personagens caricatas e bizarras, satírico e simbólico, mas que se perde precisamente na indefinição do seu objectivo. O espectador chega ao fim com a sensação que assistiu a um bom filme, mas que no fim de contas é um exercício de estilo meramente oco, um show de bizarrias, uma sátira a algo que parece definido, mas que no fim de contas é tão incerto, sem qualquer propósito. Um Homem Sério segue a linha do humor negro dos Coen, mas perde-se demasiado na arrogância e no estatuto que adquiriram ao longo dos anos.



Classificação:

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um Homem Sério, por Carlos Antunes

http://thomas2026.files.wordpress.com/2009/11/a-serious-man-poster.jpg

Título original:
A Serious Man
Realização: Ethan Coen e Joel Coen
Argumento: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed e Sari Lennick

A Serious Man deixa interessantes memórias ao espectador, de personagens e momentos histriónicos onde o humor negro leva a melhor sobre o mais sério dos espectadores.
Mas esses momentos permanecem em suspenso, seguros a nada em concreto, flutuando para longe na memória.

http://stalkersanddogvillains.files.wordpress.com/2009/11/a-serious-man.jpg

Os Coen acertaram no tom do humor, muito negro mesmo, mas falta-lhes propósito. Narrativo, acima de tudo, pois mesmo com tudo girando em torno de um homem sem que pareça ter um destino concreto ou uma ligação sólida; só que igualmente de significado, por mais que já saibamos que eles se viraram para o interior da comunidade que conheceram enquanto crianças e que possam estar em processo catártico ou nostálgico.
O que querem os Coen dizer com este filme, o que querem demonstrar ou exorcizar de si mesmos é algo que não chega a concretizar-se perante o espectador.

http://quixotando.files.wordpress.com/2009/08/a-serious-man-2009.jpg

É desalentador para o espectador andar sem rumo com uma personagem tão interessante como Larry Gopnik à sua frente.
Este homem, que parece ser o centro de um mundo profundamente injusto, surge como um misto de mártir perante Deus e um mártir perante Kafka.
A sua frase mais recorrente é "Mas eu não fiz nada", na sua incompreensão do porquê de tudo tombar sobre si.
Só que nessa incompreensão parece ir também confrontando, com uma irreverência que não se coaduna com um praticante consciencioso da religião, a instituição social da comunidade em que se insere e, pior ainda, o sentido pessoal das suas privações como vontade de um Deus com quem viveu a vida toda sem nunca o ter incomodado.

http://blackchristiannews.com/news/images/movie-a_serious_man-stills-1735000322.jpg

Parece, porque lá está a questão que fica acima de todas as outras, os Coen não insistem em nada como também não concedem a nada o papel de sugestão intuitiva sobre as personagens.
O público é que tem de assumir que isto lá está para não se ver a braços com um vazio absoluto.
Vazio que recai sobre todas as caricaturas de que são feitas as personagens secundárias e a que só escapa Larry Gopnik devido a uma interessantíssima interpretação de Michael Stuhlbarg, apagado e perdido ao ponto em que já se torna notório no meio das personagens bizarras que povoam a sua cidade.
A sua perplexidade quase permanente associada ao seu disfarce de calma determinação parecem ser marcas de uma personalidade dividida mas com vontade de explodir, submissa à esperança de que tudo retome o seu rumo.

http://i187.photobucket.com/albums/x89/edwardbayntun/news/a-serious-man-trailer-2.jpg

Só que tal como a personagem que dá vida luta sozinha contra o mundo, assim Michael Stuhlbarg parece lutar sozinho contra um filme cuja melhor sequência - a inicial, evocando fantasmas de outras épocas e imaginários - não se parece ligar a nada do que se segue.
E nem a sistemática súplica dos irmãos Coen para que "se aceite o mistério" convence, pois se nada questionar e tudo aceitar com a simplicidade que pedia o Deuteronómio fosse a regra, então nenhum filme teria de garantir propósito, lógica ou significado, apenas teria de ser aquilo que apetecesse a quem o faz.
O problema é que o filme só termina quando tem público, por isso é preciso pensar com o público e não pedir-lhe que não pense de todo.



http://geekonfilm.files.wordpress.com/2009/09/a-serious-man.jpg

terça-feira, 16 de junho de 2009

Cada um o seu cinema, por Carlos Antunes


Título original: Chacun son cinéma ou Ce petit coup au coeur quand la lumière s'éteint et que le film commence
Realização: Theodoros Angelopoulos, Olivier Assayas, Bille August, Jane Campion, Youssef Chahine, Kaige Chen, Michael Cimino, Ethan Coen, Joel Coen, David Cronenberg, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, Manoel de Oliveira, Raymond Depardon, David Lynch, Gus Van Sant, Lars von Trier, Walter Salles, Roman Polanski, Nanni Moretti, Wim Wenders e Yimou Zhang
Argumento: vários

Cada um o seu cinema é, exactamente, uma relação com a sala de cinema, como pretende.
A sua conjugação de episódios estabelece uma variância de qualidade e atenção que proporciona uma alternância de sentimentos - se não mesmo de comportamentos - durante o seu visionamento.


Há momentos em que nos apetece levantar e sair para fumar um cigarro.
Outros em que ganhamos uma dolorosa consciência da sala que nos rodeia e de tudo o que lá acontece.
Outros ainda em que não percebemos que já entrámos na magia desta arte da hipnose senão quando nos volta a libertar.


Os episódios vão do documentário (ou, se preferirem, da observação particular) à piada, da reflexão à imersão na imaginação, da biografia à confissão.
Cada um poderá - e certamente assim o fará - encontrar os que mais lhe tocam, embora seja inegável que haverá sempre evidências dos que entre eles sobressaiem, para o bem e para o mal.


Polanski a filmar uma velha piada é desapontante, mais pelo que deixou por fazer do que pelo falhanço do riso.
Jane Campion a tentar ser inventiva e poética sem conseguir mais do que irritar o espectador com o seu insecto é um falhanço monumental.
Amos Gitai e o seu oco experimentalismo de simbólicas ressonâncias temporais destoa do resto do que se vê.


Mas a forma como os irmãos Dardenne e Gus Van Sant traduzem em imagens a pura magia do feitiço do cinema, a forma como Cronenberg ironiza com as modernas considerações sobre o cinema contra outros meios visuais ou a simples demanda pelo olhar feminino que é a de Abbas Kiarostami compensam tudo isso.
E entre o muito bom e o muito mau há ainda tanto a descobrir.
Para quem gosta de cinema e para quem gosta de salas de cinema, este é um filme a ver.





segunda-feira, 1 de junho de 2009

Paris, Je T'Aime, por Tiago Ramos



Título original: Paris, je t'aime (2006)
Elenco: Florence Muller, Bruno Podalydès, Cyril Descours, Julien Beramis, Leïla Bekhti, Salah Teskouk, Marianne Faithfull, Elias McConnell, Gaspard Ulliel, Steve Buscemi, Catalina Sandino Moreno, Barbet Schroeder, Li Xin, Javier Cámara, Emilie Ohana, Miranda Richardson, Leonor Watling, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Yolande Moreau, Paul Putner, Dylan Gomong, Sara Martins, Nick Nolte, Maggie Gyllenhaal, Fanny Ardant, Bob Hoskins, Olga Kurylenko, Elijah Wood, Emily Mortimer, Alexander Payne, Natalie Portman, Gérard Depardieu, Gena Rowlands e Ben Gazzara

A cidade das luzes merece cada homenagem feita em sua honra. Palco de grandes feitos, monumentos e pessoas, este Paris, Je T'aime é uma obra de amor colectivo pela cidade, com 18 segmentos de curtas-metragens de 20 realizadores que exprimem assim os diversos sentimentos de amor em cada bairro típico da capital.



Apesar da normal diversidade e estéticas distintas das curtas, devido à reunião de nomes tão diferentes, o projecto resultou numa obra coesa e bastante inspirada sobre a temática do amor. Obviamente que há filmes que contrastam devido à qualidade, como o caso da história de amor entre um vampiro e um humano de Christopher Doyle, que resultou numa obra fraca em termos de argumento, apostando muito mais numa vertente estilística.

Por outro lado, Tom Tykwer tem uma das obras mais icónicas do projecto, tendo funcionado até como promoção à colectânea, com a participação de Natalie Portman e Melchior Beslon. O argumento não é particularmente interessante ou consistente, mas a realização e a montagem funcionam de forma bastante equilibrada, dando origem a um produto de cinema bastante bom.



Temas como a morte, as diferenças sociais, prostituição, solidão, turismo, homoerotismo, as drogas, entre outros, são abordados nesta colectânea numa vertente apaixonada e poética. Torna-se complicado então, devido a esta diversidade, eleger o favorito, que poderia passar pelas obras de Joel e Ethan Coen, Walter Salles, Gus Van Sant, Nobuhiro Suwa ou Alexander Payne.

Claro que assistimos constantemente a clichés e lugares-comuns, mas torna-se interessante assistir à criatividade de grandes realizadores que alternam entre retratos citadinos bem humorados, como dramáticos ou surrealistas. Obviamente não é uma obra uniforme, mas o estrondoso sucesso de uns colmata as falhas evidentes de outros.



Também a banda sonora de todos os segmentos equilibra muito bem Paris, Je T'aime como um produto multicultural e emotivo, juntamente com a conjugação final de alguns personagens de curtas diferentes que se cruzam e convivem, fazendo da colectânea uma prova viva da globalização, mas ao mesmo tempo um hino ao humanismo e claro, ao Amor, num bonito postal de Paris.

Classificação:



segunda-feira, 23 de março de 2009

Destruir Depois de Ler, por Tiago Ramos



Título original: Burn After Reading (2008)
Realização: Ethan Coen e Joel Coen
Argumento: Ethan Coen e Joel Coen
Eenco: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Brad Pitt, Richard Jenkins e Elizabeth Marvel

A inteligência é relativa é uma das taglines de Destruir Depois de Ler, dos irmãos Ethan e Joel Coen. E é sobretudo disso que nos lembramos ao ver o filme. Depois de No Country For Old Men, que conseguiu arrecadar quatro Óscares, a dupla dos irmãos volta a arriscar, desta vez naquilo que foi anunciado como a comédia negra do ano.



O filme tem como base diferentes personagens, todas elas com perspectivas distintas do mesmo assunto: um CD que foi descoberto no balneário de um ginásio, com as memórias de um ex-analista da CIA. À partida teríamos logo aqui uma possível nomeação para um Melhor Argumento Original, nem que seja apenas pela temática. Num jogo que envolve traições, conspirações e chantagens, os irmãos Coen conduzem-nos a um ciclo de idiotices, numa narrativa que por vezes se torna demasiadamente rebuscada.

O ponto alto de Destruir Depois de Ler será com certeza, o elenco e as personagens-tipo, criadas pelos realizadores. George Clooney, por exemplo, que estamos habituados a ver no papel de galã, surge aqui como um maníaco da perseguição e com ocupações algo peculiares, num papel a que não estávamos habituados a ver associado a ele. Frances McDormand (vencedora de um Óscar de Melhor Actriz por Fargo) é aquela que me gera mais desconfiança ao longo do filme, ora se apresenta como uma personagem complexa, ora deixa revelar demasiadas fragilidades e incoerências, com um sentido vazio. Brad Pitt é, acima de tudo, aquele que detém a melhor personagem e melhor interpretação. A personagem de Chad, que tinha tudo para não resultar, é conduzida com invulgar mestria, naquela que se apresenta como a personagem mais divertida e patética dos últimos tempos. Não estamos habituados a ver Brad Pitt a envergar tamanhos estereótipos, mas este assenta-lhe como uma luva. Destaque também para a presença de John Malkovich e Tilda Swinton.

O argumento de Destruir Depois de Ler é cheio de tiques de expressão, de maneirismos de patetice, numa longa cadeia confusa de equívocos. Por vezes isso causa cansaço no espectador, que nem sempre se consegue rir devido ao arrastar da acção, que se torna demasiado lenta em determinados momentos. Infelizmente, os irmãos Coen acabaram por cair no facilitismo da repetição exaustiva dos mesmos assuntos e piadas, com personagens reduzidas a um sentido oco. Destruir Depois de Ler acaba por gerar perplexidão, pois ao fim de contas, acaba por ser menos do que aquilo que prometia, deixando o espectador na eterna questão “E agora?”.



Bem, Destruir Depois de Ler não é nenhuma obra-prima, nem a melhor comédia negra de sempre, mas pelo menos assenta num argumento peculiar e burlesco.

Classificação: