Provocador e cínico, leva-nos a observar a odisseia de uma mulher que é também a sua. Que revisita os seus temas, as suas condições e os seus propósitos. Charlotte Gainsbourg tem neste segundo volume o destaque para brilhar, para se entregar às nefastas vontades do seu realizador, para se subjugar (as cenas com Jamie Bell são de uma violência esmagadora - a interpretação é notável), para nos enganar também. Maliciosamente entrega-nos aos seus propósitos. Estarrecedora cena com Jean-Marc Barr. Revolta-nos, pontapeia-nos, manipula-nos. Aqui está. É Lars von Trier. Afinal sempre esteve aqui.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Ninfomaníaca: Volume 2, por Tiago Ramos
Provocador e cínico, leva-nos a observar a odisseia de uma mulher que é também a sua. Que revisita os seus temas, as suas condições e os seus propósitos. Charlotte Gainsbourg tem neste segundo volume o destaque para brilhar, para se entregar às nefastas vontades do seu realizador, para se subjugar (as cenas com Jamie Bell são de uma violência esmagadora - a interpretação é notável), para nos enganar também. Maliciosamente entrega-nos aos seus propósitos. Estarrecedora cena com Jean-Marc Barr. Revolta-nos, pontapeia-nos, manipula-nos. Aqui está. É Lars von Trier. Afinal sempre esteve aqui.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Ninfomaníaca: Volume 1, por Tiago Ramos
sábado, 2 de junho de 2012
Melancolia, por Carlos Antunes

Extras


domingo, 18 de dezembro de 2011
Melancolia, por Tiago Ramos
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Anticristo, por Tiago Ramos
Título original: Antichrist (2009)
Realização: Lars von Trier
Argumento: Lars von Trier
Elenco: Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg
Anticristo é um desses poucos filmes. Fora a sua natureza chocante que se tornou alvo de várias críticas exacerbadas, inclusive uma não-recomendação do Júri Ecuménico do Festival de Cannes deste ano, o filme deve ser avaliado como algo mais. O último filme de Lars von Trier centra-se obviamente na polémica, afinal toda a sua filmografia caracteriza-se por esse efeito, mas seguramente não é essa polémica que faz o filme.
Mesmo no belíssimo prólogo, quase idílico, Lars von Trier consegue iludir o espectador, confrontando-o entre a beleza do preto e branco em slow-motion, ao som de “Lascia ch’io pianga”, interpretado Tuva Semmingsen e a catástrofe familiar que ocorre simultaneamente. A lente do cineasta ultrapassa todas as barreiras convencionais, onde tanto convergem noções cruas e brutais, como de beleza artística. Em Anticristo, o realizador utiliza o habitual sistema de divisão por capítulos, mas desta vez aborda uma viagem kármica, num questionamento da natureza humana. As imagens fortes e chocantes – são todas elas justificadas – servem para rematar o processo de luto, catalisador da dor e consequente insanidade e sadismo.
As interpretações soberbas são, também elas, contrastantes. A personagem William Dafoe, de sua natureza fria e, de início, brutal, contrasta com a de Charlotte Gainsbourg, inicialmente passiva, mas por fim sádica. É inclusive este desempenho feminino que merece o maior destaque, tornando-se o papel de uma vida para a actriz, mas também uma das mulheres mais fortes da filmografia do cineasta.
Tecnicamente, o cineasta abandona de uma vez por todas o Dogma 95, para utilizar todos os recursos à sua disposição para criar uma obra de arte maior. A cinematografia de Anthony Dod Mantle é das mais líricas que temos visto, superior às técnicas utilizadas em Dogville (2003) e Manderlay (2005).
Por fim, as respostas estão contidas na Natureza. Tanto a animal, como a vegetal. A Natureza é a Igreja de Satanás. É a natureza humana, da dor ao caos, os três mendigos personificadores do Mal. Anticristo é visceral nessa conclusão, num distúrbio de sentimentos divergentes, que sem chegar a uma resposta concisa, permite ao espectador o seu auto-exame, a procura de uma resposta maior e transcendente. Uma convulsão artística que resulta num dos melhores filmes dos últimos anos.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Epidemia, por Tiago Ramos
Realização: Lars von Trier
Argumento: Lars von Trier e Niels Vørsel
Elenco: Lars von Trier, Niels Vørsel, Allan De Waal, Ole Ernst, Michael Gelting e Colin Gilder
Em Epidemic, a dada altura, diz-se que um filme deve ser como uma pedra no sapato. E este é-o realmente, porque incomoda, porque gelifica como, aliás, toda a filmografia do realizador.
domingo, 8 de novembro de 2009
Medea, por Tiago Ramos
Realização: Lars von Trier
Argumento: Carl Theodor Dreyer e Euripides
Elenco: Kirsten Olesen, Udo Kier e Henning Jensen
Encontramos em Medea, aquilo que o realizador dinamarquês usou para criar as mulheres de força, mais icónicas da sua filmografia: Emily Watson em Breaking the Waves (1996), Björk em Dancer in the Dark (2000) e Nicole Kidman em Dogville (2003). Uma mulher sofredora, mas que ao mesmo tempo rejeita o conformismo. Um conflito de personalidade, onde o amor e o ódio ocupam o mesmo espaço, resultando numa das figuras mais impressionantes da dramaturgia mundial.
Ao contrário de Dogville, em Medea o carácter da personagem transforma-se ao longo da trama, porque de início ela é desprovida de ira. Mas com uma breve referência ao seu passado traumática, torna-se numa mulher cheia de ódio e vingança. Um fantástico desvendar das origens da filmografia de Lars von Trier, mas longe de ser o seu melhor, pois revela-se uma obra minimalista e melodramática. Mais do que poderíamos esperar do realizador.
Contudo e apesar de tudo, o realizador consegue imprimir o seu cunho a Medea, usando o silêncio e as imagens de uma forma espantosa. O realizador usa técnicas de montagem revolucionárias para a altura, usando a técnica chroma key para dar um visual mais moderno à sua película.
Medea não é mais que uma experiência de Lars von Trier, que funcionou com um grande laboratório para toda a sua obra seguinte. Dada também à sua curta duração, o filme não causa grande impacto no espectador (especialmente porque a grande maioria conhece o mito que lhe deu origem), mas que de certa forma resulta numa interessante obra de estudo do realizador.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Manderlay, por Tiago Ramos
Realização: Lars von Trier
Argumento: Lars von Trier
Elenco: Bryce Dallas Howard, Isaach De Bankolé, Danny Glover e Willem Dafoe
Utilizando a mesma estética de ausência de cenários, o filme não causa tanta estranheza inicial como o seu antecessor. Contudo, assistimos a uma reinvenção da personagem Grace, de uma gélida Nicole Kidman, para uma mais calorosa Bryce Dallas Howard. Essa alteração é propositadamente feita para se notar a evolução da personagem, mas ao mesmo tempo como se torna vítima dos seus próprios ideais e como, de certo modo, ilude o espectador. Inicialmente, encontramo-la com uma doçura enigmática (como que ignorando os eventos anteriores), para depois a vermos crescer no autoritarismo, vaidade e prepotência.
Manderlay é muito mais ligeiro que Dogville. A crítica à sociedade continua, mas é desta vez mais directa no âmago do orgulho americano, usando a temática do racismo e do fim da escravidão. É uma crítica à liberdade superficial, nunca associada à melhoria das condições de vida e uma interessante recordação de passagens bíblicas, de quando os hebreus foram libertados da escravidão do Egipto, mas que se lamuriavam constantemente de falta de condições. É uma visão, ela própria racista, mas muito assente na escravidão cultural em que ainda se vive. É o ponto de vista de Lars von Trier, provavelmente muito mais gratuito que o seu antecessor, mas também mais ingénuo. Não deixa de ser uma visão de um outsider e portanto diferente do real, mas muito mais leve.
Em termos estéticos, a ausência de cenários sente-se de forma diferente. Existe um maior número de adereços e uma menor subtileza dos actores e da própria câmara, na forma como joga com a ausência de divisões, o que diminui (e muito) o filme em impacto emocional. O que o filme ganha em mainstream, perde em fôlego, prejudicando-se quando utiliza uma crítica mais gratuita, delegando a importância das personagens para segundo plano. Isso resulta em uma grande parte do elenco subaproveitado.
É nesse sentido que os maiores destaques são Bryce Dallas Howard, Isaach De Bankolé, Danny Glover. Todos suficientemente fortes para suportar quota parte do filme, mas simultaneamente frágeis para não o agarrarem por todo. Contudo, Lars von Trier sabe distanciar-se do status da figura do actor, conseguindo dar a mesma importância a estes três (se bem que como já foi dito, o restante elenco é acessório).
Manderlay é sobretudo difícil de classificar. Tendo tanto de mau, como de mau. É difícil de comparar com o seu antecessor, por demarcar-se tão fortemente do mesmo. É um filme claramente ambíguo, que não deixa de ser ingénuo, mas também provocador, deliberadamente. É contudo uma continuação da estética única que o realizador revelou ao mundo, deixando o espectador curioso por saber quais as paredes que ele irá derrubar, quando a terceira parte da trilogia vir a luz do dia.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Dogville, por Tiago Ramos
Realização: Lars von Trier
Argumento: Lars von Trier
Elenco: Nicole Kidman, Harriet Andersson, Lauren Bacall, Paul Bettany, Patricia Clarkson, Jeremy Davies, Ben Gazzara, Philip Baker Hall e Siobhan Fallon
É um filme claramente político e social que transforma a vila numa espécie de laboratório, numa clara crítica à sociedade americana e geral. Muito ao estilo da obra de Franz Kafka, Dogville aborda temas como a fuga, paranóia e influências exteriores, rematando também com uma crítica aos intelectuais e pensadores que são meros passivos perante a sociedade. São todos estes elementos do filme que revelam a visão de Lars von Trier: a humanidade não tem salvação. Perante tudo isso, a protagonista torna-se descrente no ser humano e desencadeia o que poderíamos chamar de Juízo Final, numa clara alusão bíblica.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Dancer in the Dark, por Tiago Ramos
Título original: Dancer in the Dark (2000)
Realização: Lars von Trier
Argumento: Lars von Trier
Elenco: Björk, Catherine Deneuve, David Morse e Peter Stormare
Com certificado Dogma 95, no plano estético e técnico, mas também na construção da personagem feminina principal, que decide como meta de vida a dedicação em pleno ao filho, tendo como meio o sacrifício pessoal. Último filme da Trilogia do Coração, Dancer in the Dark é uma inteligente e profunda observação ao plano psicológico e humano, que nos faz engolir em seco muitas vezes, com um nó na garganta que não se desfaz nunca. E é precisamente a figura de Björk que despoleta essa sensação no espectador. É uma entrega incrível àquele que se tornou o papel da sua vida, um notável desempenho realista e comovente, de alguém que (quase sem ver) constrói um mundo à parte, através da música, um musical de sentidos, uma intensa dança. Uma dança no escuro, como forma de fugir ao mundo real, à dor e sofrimento, um refúgio musical, coreografado previamente, o controlo absoluto dos acontecimentos e o sorriso no rosto. A personagem de Selma fere o coração, face ao singelo olhar, à intensidade do seu grande coração e ao espírito de sacrifício. E nesse dramatismo intensifica-se o desempenho mais secundário de Catherine Deneuve e David Morse.
Lars von Trier revela o realizador inteligente que é. O olhar frio e calculista é soberbo, manipulando o espectador de início ao fim, torturando-o, fazendo-o sofrer, para no fim sentir a força de todo o argumento. Os apontamentos fotográficos, os planos soberbos e a cor fazem de Dancer in the Dark um musical avant-garde, único no mundo cinematográfico e dificilmente irrepetível. A direcção artística de Peter Grant (Breaking the Waves) e a música composta pela própria Björk complementam o retrato único da dedicação da Mulher.
Dancer in the Dark é um magnífico filme – um dos melhores – de Lars von Trier. Uma obra poderosíssima, uma inevitável convergência de emoções fortes, comovente, com o final mais poderoso de sempre. O musical que nunca acaba, o nó na garganta que nunca se desfaz.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Cada um o seu cinema, por Carlos Antunes

Realização: Theodoros Angelopoulos, Olivier Assayas, Bille August, Jane Campion, Youssef Chahine, Kaige Chen, Michael Cimino, Ethan Coen, Joel Coen, David Cronenberg, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, Manoel de Oliveira, Raymond Depardon, David Lynch, Gus Van Sant, Lars von Trier, Walter Salles, Roman Polanski, Nanni Moretti, Wim Wenders e Yimou Zhang
Argumento: vários
A sua conjugação de episódios estabelece uma variância de qualidade e atenção que proporciona uma alternância de sentimentos - se não mesmo de comportamentos - durante o seu visionamento.

Outros em que ganhamos uma dolorosa consciência da sala que nos rodeia e de tudo o que lá acontece.
Outros ainda em que não percebemos que já entrámos na magia desta arte da hipnose senão quando nos volta a libertar.

Cada um poderá - e certamente assim o fará - encontrar os que mais lhe tocam, embora seja inegável que haverá sempre evidências dos que entre eles sobressaiem, para o bem e para o mal.

Jane Campion a tentar ser inventiva e poética sem conseguir mais do que irritar o espectador com o seu insecto é um falhanço monumental.
Amos Gitai e o seu oco experimentalismo de simbólicas ressonâncias temporais destoa do resto do que se vê.

E entre o muito bom e o muito mau há ainda tanto a descobrir.
Para quem gosta de cinema e para quem gosta de salas de cinema, este é um filme a ver.





































