sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Era Uma Vez em... Hollywood, por Eduardo Antunes
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Django Libertado, por Tiago Ramos
Após a morte de Sally Menke especulou-se, de certo modo, até que ponto a ausência da colaboradora de longo termo de Quentin Tarantino (foi a responsável pela montagem de todos os seus filmes até à data) poderia afectar os seus filmes vindouros. Coincidência ou não, Django Libertado é o seu filme de maior duração - embora apenas cerca de dez minutos a mais que Pulp Fiction (1994), Jackie Brown (1997) e Inglourious Basterds (2009) - mas também aquele que é talvez mais prejudicado por isso, tornando-se de certa forma redundante, especialmente na recta final da sua narrativa. Não nos precipitemos porém. Mesmo um filme menor do cineasta norte-americano (não que seja o caso deste) é habitualmente superior ao da grande maioria dos filmes produzidos anualmente, de uma riqueza profunda e repleta de momentos memoráveis para os cinéfilos. Mas em Django Libertado nota-se, em mais momentos do que o espectador poderia desejar, uma falta de timing em certas cenas, provocando aquela sensação de redundância e repetição que falava acima. Aliás, embora tenha diversos momentos magníficos, falta aqui muitos dos momentos vibrantes e realmente únicos que eram evidentes em anteriores trabalhos do cineasta, num argumento com algumas cenas de um humor que parece até forçado.
Contudo, em Django Libertado o cineasta brinca com os westerns e o movimento blaxploitation, e mesmo não sendo a homenagem ao género anunciado, garante vários momentos eye candy ao espectador, com pequenos cameos, frequentes snap zooms, cenários e guarda-roupa que o homenageiam. Aqui recupera ainda a mestria técnica da sua obra, incluindo uma fantástica fotografia de Robert Richardson, bem como um dos seus melhores trabalhos a nível da edição sonora. Destaque ainda para a brilhante banda sonora, a recuperar vários temas dos spaghetti western, conciliando-os com canções contemporâneas e que se enquadram maravilhosamente na estética do cineasta. Mas é verdadeiramente nas suas interpretações que o filme se destaca. O destaque óbvio vai para Christoph Waltz que recupera parte do papel que o lançou para o estrelato em Inglourious Basterds e cuja narrativa lhe oferece grande parte dos melhores momentos e cenas, o que ajuda até ao desempenho de Jamie Foxx. Samuel L. Jackson e Leonardo DiCaprio também comprovam o seu talento (duas das melhores interpretações do ano), especialmente surpreendente no caso deste último, num registo invulgar, apesar do argumento não lhes reservar tanto tempo como aos restantes actores e por isso não lhes permitindo explorar o completo potencial das suas personagens.
Pena que apesar de tudo, a narrativa demore a avançar até o seu clímax que explora todas as potencialidades da temática de vingança que Quentin Tarantino traz de volta depois do seu anterior filme. O tempo sente-se a passar (algo que não é comum nos seus filmes) e a frequente sensação de falsos fins, contribuem para que o espectador não se extasie tanto como em outros dos seus filmes. Já para não falar no medíocre cameo final do cineasta, absolutamente desnecessário e que apenas desilude, prejudicando até a narrativa. Não me interpretem mal, porém. Django Libertado é um bom filme, divertido, sangrento, provocador e repleto de referências como seria de se esperar. Mas falta-lhe o toque de ouro final, que não sabemos bem qual é, mas que pode muito bem ser a sua montadora de sempre, Sally Menke.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Sacanas sem Lei, por Tiago Ramos
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Inglourious Basterds é um filme de um cinéfilo, feito para cinéfilos. O Cinema é homenageado em cada frame do filme, nem que seja por uma sala de cinema ser o palco do maior clímax da longa-metragem. Apenas alguém com enorme respeito pelo Cinema, mas também com uma visão avant-gard poderia ter a coragem de reescrever a História mundial. I believe I just made my masterpiece diz uma personagem em jeito de ironia, como que falando por intermédio de Tarantino.
Quentin Tarantino dá uma dimensão nunca vista à sua estética, num projecto quase megalómano, mas praticamente isento de erros. Como habitualmente dividido em capítulos, o cineasta reduz o seu espírito sanguinário e aumenta a extensão dos diálogos à la Tarantino, misturando os géneros filme de guerra, western spaghetti, melodrama, filme noir, comédia e thriller num único filme.
Mas sobretudo existe um maior cuidado com as imagens. Imagens essas que são o ponto alto do filme, numa cinematografia cuidada a cargo de Robert Richardson, que já trabalhou com o cineasta no díptico Kill Bill. A cena com Shosanna Dreyfus, enquanto se prepara para a sua vingança no cinema, é por demais reveladora da estética de Tarantino, num curioso e lindíssimo jogo de espelhos. Tanto a impactante cena inicial, que faz disparar o coração, como o final fulgurante e explosivo, fazem deste um dos melhores trabalhos fotográficos num filme do realizador. Já a banda sonora constitui outro dos pontos altos do filme, com fantásticos temas de Ennio Morricone, entre outros.
O elenco é outro achado. Especialmente o austríaco Christoph Waltz que desempenha uma das melhores personagens de um argumento de Tarantino, numa versatilidade tamanha, falando fluentemente em três línguas (inglês, francês e alemão), pontuando uma cena com algumas palavras em italiano. Mélanie Laurent é dotada de uma frieza e espírito de vingança intenso, mas ao mesmo tempo com uma aparência ingénua e frágil, o que lhe permite entrar completamente dentro da personagem. Brad Pitt e os seus bastardos, dão nome ao filme, mas acabam por ter uma visão demasiado caricatural e, embora divertida, parece de certa forma excessiva.
É também o uso da língua complementado com as imagens que faz de Inglourious Basterds o filme mais europeu do realizador, mas também um dos mais icónicos. Uma relação explosiva que faz do filme uma espécie de redenção através da linguagem do Cinema, que acaba por se regenerar ele próprio.
domingo, 30 de agosto de 2009
Sacanas Sem Lei, por Carlos Antunes

Título original: Inglourious Basterds
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender e Diane Kruger
Ao Cinema como arma, propagandística e literalmente incendiária. Ao Cinema como força aglutinadora. Ao Cinema como expressão universal (e universalmente entendível), ainda que passível de divergência.
Se tal não bastasse, o filme de Tarantino é também um tratado sobre o poder e a importância da linguagem.
Algo como um poema multilingue onde cada contorno do que se diz - e faz, pois a um ponto trata-se também de linguagem gestual - pode ser, afinal de contas, menos importante do que como se diz.

Uma declaração de amor que se vive tão intensamente na forma como Tarantino tão magistralmente toca a linguagem do western spaghetti, thriller Hitchcockiano ou do noir, entre tantos outros géneros dignos de nota que sentimos na tela.
Tão intensa declaração de amor suplantou por completo a reinterpretação do sub-género de filme de guerra com que Tarantino começou mas à qual teima em voltar uma e outra vez.
Tarantino não parece disposto a ceder à evidência de que o sub-género menor que cita não se coaduna com o género maior que estava prestes a criar.
Quando tal acontece, coloca a nú as fragilidades de um cineasta que não soube largar o que não é mais do que uma condicionante admiração de fã e não uma fonte de inspiração de um cineasta.
O humor sôfrego e a violência sadística não fazem aqui figura de marca autoral mas antes revelam o quão imberbe Tarantino ainda é.
O seu argumento, mais uma vez dividido em capítulos - cada vez mais pedaços independentes de cinema ligados tenuamente -, tem um problema de falta de ligação narrativa e dramática, surgindo segmentado e periclitante entre as suas componentes.
Essa ligação é algo que se exigia a uma obra que está sempre à beira de tornar-se magistral se se afirmasse como um épico coerente.

Que é como quem diz que este é um filme de um actor só e esse actor é o brilhante Christoph Waltz a interpretar um papel que vai entrar directamente para a história do cinema.
O carisma e o génio do seu Coronel Hans Landa fica assente logo à primeira cena (tão tensa, tão aterradora, tão apaixonante) e quando o final chega, temos pena do que lhe acontece, mas sobretudo de o perder de vista, ele que merecia um épico só seu, das suas façanhas.

Tarantino estagnou logo antes da maturidade cinéfila e apesar do seu estilo, isso já não chega para satisfazer as esperanças que depositamos no seu talento.
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domingo, 12 de abril de 2009
DVD: Kill Bill Vol. 2, por Tiago Ramos
Título original: Kill Bill: Vol.2 (2004)
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Elenco: Uma Thurman, Chia Hui Liu, Daryl Hannah, David Carradine, Michael Madsen, Michael Parks e Christopher Allen Nelson
Kill Bill: Vol. 2 foca-se na coerência e coesão do argumento que não surgiu no primeiro filme e regressa-se aos diálogos à la Tarantino. Continua a existir uma enorme competência do realizador atrás das câmaras, mas há um enfoque maior nas suas capacidades enquanto argumentista, com uma grande relevância para o seu humor sarcástico e corrosivo.
Sente-se porém falta de uma maior acção e algumas das fantásticas cenas de combate que envolvem a personagem de Uma Thurman. Neste segundo volume, as suas lutas são muito mais limpas e menos sangrentas, existindo um maior envolvimento psicológico enquanto contracena com os outros actores. Especialmente devido à sua motivação enquanto uma vingadora mais maternal do que se poderia imaginar.
A nível interpretativo o destaque vai também para David Carradine, que adopta uma táctica de uma sabedoria extrema enquanto actor e Michael Madsen, num curioso regresso à ribalta, numa altura em que apenas interpreta papéis secundários. Mas, do meu ponto de vista, Daryl Hannah é, a par de Uma Thurman, uma das melhores actrizes do filme, com uma cena absolutamente fantástica e inteligente, quando contracena com a personagem de Budd e a forma como o mata, com todo o estilo. Já a cena de combate entre as duas arqui-inimigas é também um dos pontos altos do filme, mas também um dos mais "sujos" em termos morais.
Porém a nível técnico e sonoro, considero o segundo volume de Kill Bill, inferior ao primeiro. Contudo, o brilhantismo de Quentin Tarantino está lá todo. A história é a mesma, mas o tom difere, num absoluto complemento entre ambos os volumes. O final é estereótipado e cliché, mas supõe uma absoluta ternura que não seria de imaginar numa obra deste grande mestre do Cinema.
Extras:

- Cena Cortada
- Making Of Kill Bill A Vingança - Volume 2
- Actuação dos CHINGON na Estreia de Kill Bill - A Vingança - Volume 2
sábado, 11 de abril de 2009
DVD: Kill Bill - A Vingança, por Tiago Ramos
Realização: Quentin Tarantino
Elenco: Uma Thurman, Lucy Liu, Vivica A. Fox, Daryl Hannah, David Carradine, Michael Madsen, Julie Dreyfus, Sonny Chiba e Michael Bowen
O regresso de Quentin Tarantino aos holofotes do cinema é sempre motivo para regozijo. E 2003 marcou de certo a carreira de uma das mais prolíferas mentes do mundo do cinema. Kill Bill - A Vingança relevou uma marca de mudança na sua realização e escrita, desta vez muito mais virada para a acção que o habitual.
Kill Bill: Vol. 1 é, com toda a certeza, a sua obra mais sensual, onde explorou o seu lado erótico e mortífero, melhor do que nunca. O cerne da mente de Tarantino surge desta vez mais no elemento visual, do que nos diálogos. E, caramba!, como resultou lindamente! O filme é uma crescente obra de referência, com enfoques a toda a cultura pop, a filmes de kung fu, a western spaghettis, séries dos anos 90 e um revivalismo de actores e actrizes que há algum tempo que não se viam na grande tela.
Tarantino é amante do interior. Interior das mentes, das mais negras motivações do ser humano, mas também no interior Estados Unidos, filmando em ambientes míticos e rurais, mas desta vez focando também e entrecruzando a cultura americana com o submundo japonês e as suas referências às artes marciais e aos assassinos por encomenda.
O realizador e argumentista explora a vingança, com base naquele que facilmente aponto como o maior e melhor desempenho de Uma Thurman no cinema. Kill Bill é o melhor argumento de Tarantino e um dos melhores do género na história do cinema, sem falhas, com sangue, com (ab)uso dos cognomes adaptados às personagens e a construção das personagens e batalhas.
O estilo do realizador surge a todo o momento, num filme filmado a cores, mas com inúmeras mudanças para o monocromático e uma sequência de cenas virada para o estilo anime. Mas toda esta experiência visual, não fica completa sem a riquíssima experiência sonora que se apresenta a todo o momento nesta obra-prima dos filmes de acção. A edição sonora e a própria banda sonora são um dos muitos pontos altos do filme.
As personagens são bastante complexas, com histórias bastante ricas a nível argumentativo, com interpretações sublimes. Uma Thurman. Já aqui falámos do seu desempenho e repetimos a importância do mesmo para a magnitude do filme. As batalhas travadas entre a personagem e os seus inimigos são extremamente ricas a nível visual, mas também inteligentes, com algumas paródias típicas do realizador, mas também para um foco interessante na importância da família. Neste primeiro volume, Lucy Liu tem também uma personagem interessante e rica, que acaba por ter, quando cruzada com a personagem A Noiva, uma das mais belas cenas de combate do cinema. Uma mistura explosiva de kung fu e espadas de samurai, que me fez lembrar a dada altura, uma versão mais sanguinária e estilosa de O Tigre e o Dragão, de Ang Lee.
Mas também Daryl Hannah tem uma sequência divertida e poderosa no início do filme, tornando-se rapidamente numa das minhas personagens preferidas do filme e que terá um destaque ainda maior no segundo volume de Kill Bill.
Sendo para mim, o melhor trabalho de Quentin Tarantino, Kill Bill torna-se uma referência da cinematografia mundial e dos filmes de acção, consagrando o realizador como uma mente fértil e com mais estilo de sempre. Kill Bill traz-nos apenas questões, que a nada dificultam o interesse do espectador na obra. Questões estas que foram descortinadas no segundo volume da obra, com a ajuda de uma espada Hattori Hanzo.

- Making Of de Kill Bill Vol. 1
- Video Musical por "The 5,6,7 8's"
- Trailers dos Filmes de Quentin Tarantino, incluindo Kill Bill Vol. 2
quinta-feira, 2 de abril de 2009
DVD: Pulp Fiction, por Tiago Ramos
Elenco: John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Harvey Keitel, Bruce Willis, Tim Roth, Christopher Walken, Ving Rhames, Eric Stoltz, Maria de Medeiros, Quentin Tarantino e Rosanna Arquette
Quando falamos em Pulp Fiction, falamos não só de um filme que arrebatou inúmeros prémios, mas falamos também de um ícone da cultura pop dos anos 90, que surge hoje seguramente entre o top 10 de grande parte dos cinéfilos. Pulp Fiction venceu o Grande Prémio de Veneza e foi nomeado a sete Óscares de Academia, vencendo o de Melhor Argumento Original.
Pulp Fiction será certamente das obras mais influentes do cinema e à partida a que teria dos argumentos mais simples. O filme retrata três histórias interligadas que seguem as desventuras de dois assassinos baratos (John Travolta e Samuel L. Jackson), da insinuante mulher do seu patrão (Uma Thurman) e de um desesperado boxeur em fuga (Bruce Willis). Contudo, o segredo reside na originalidade com que Quentin Tarantino o fez.
Não é das obras mais perfeitas da história do cinema, mas acabam por ser esse “ruído” do argumento que gera um dos melhores clássicos de sempre. Pulp Fiction não é fiel a regras, nem assenta em categorias ou géneros e isso transmite liberdade visual ao espectador. O filme é desafiante, transgride as regras do bom senso e do politicamente correcto, despertando o grito de rebeldia existente em todos nós.
Pulp Fiction apresenta diálogos tremendamente bem construídos, onde cada expressão é digna de nota, revelador da fantástica cultura pop do realizador. Cada cena consegue ser puramente desconcertante, com brilhantes interpretações por parte do elenco e sobretudo através da fotografia do filme. Cada cena, cada parte do guião, cada interpretação é recheada de referências à cultura violenta dos anos 90, com armas e drogas. E tudo isso despertou aquilo que hoje em dia nós chamamos de “cultura tarantinesca“.
As personagens que mais se destacam em todo o filme acabam por ser Vincent Vega (John Travolta), Mia Wallace (Uma Thurman) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson). Não são personagens voláteis em conteúdo, muito pelo contrário. Destaque sobretudo para Uma Thurman, no papel de um mulher engenhosamente inteligente e sensual, que forma uma das melhor duplas do cinema, juntamente com John Travolta.
Uma nota em relação ao poster do filme: nunca um outro poster resumiu tão bem o cinema americano e a sua cultura pop como o de Pulp Fiction. Pulp Fiction é claramente um filme à la Tarantino.
Extras:

- Menus Interactivos
- Selecção por Capítulos
- Trailers
- Clips
- Documentário
- Biofilmografias
- Sound Bites
- Em Filmagens
- Prémios





















