quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Amor é o Melhor Remédio, por Carlos Antunes


Título original: Love and Other Drugs
Temos perante nós a aproximação de 2011 a Up in the air. A mesma mistura de comédia e solidão, o mesmo espicaçar de um tema actual e silenciado.
Love and Other Drugs é mais comédia do que comentário social. Mais lágrima contida do que desolamento contido.


O filme seduz o espectador mesmo assim, porque a comédia romântica tem traços de sexualidade adulta.
Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway combinam talento e charme de forma irreverente.
São tão displiscentes na sua irreverência e despudor que não conseguimos deixar de nos sentir atraídos para as suas personagens.
Irreverência a tempos confundida com nudez. Se por vezes é despropositada, também não chega a ser ofensiva. Perdoa-se mais facilmente a exploração dos corpos porque é levada logo de seguida pelo humor.


A lágrima contida que o filme também procura, nem sempre joga harmoniosamente com o resto, mas é preciso fazer uma avaliação seca disso mesmo já fora da sala.
Lá dentro é fácil que se deixem enganar por uma melancolia doce a que se chega pela transformação de quem lucra com a doença em quem luta com a doença.
A crítica do filme está aí, nessa transformação - ainda que por via do amor - de quem vê a doença como fonte de dinheiro em alguém que vê a doença como fonte de luta pessoal.
Do prolongamento da doença para que os medicamentos se vendam ao ponto em que se luta de forma determinada por uma cura vai uma distância grande que é sinal inverso dos tempos actuais.


Claro que muitos ficarão insatisfeitos por não se ver mais do lado sórdido e desregado da medicina no ecrã ou por não serem mais exploradas as estratégias que opunham os mercadores de curas e assim estripar a verdade aos laboratórios de medicamentos.
Isto não é um documentário e encarando pela vertente oposta, quantas vezes se tem saído de uma comédia romântica com algo em que pensar?
Reconheço isso mesmo a Love and Other Drugs e, também, o divertimento que proporcionou. Basta para se ir ver o filme, creio eu.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cisne Negro, por Tiago Ramos



Título original: Black Swan (2010)
Realização:
Darren Aronofsky
Argumento:
Mark Heyman e Andres Heinz

Os holofotes do espectáculo fazem mais uma vez parte do imaginário de Darren Aronofsky, depois de uma incursão aclamada ao universo do wrestling com The Wrestler (2008). Curiosamente a exposição é semelhante, mas se no primeiro há decadência e recuperação final, em Cisne Negro o processo é o inverso. Ambos partiram da mesma ideia, mas acabaram divididos, embora continuem a seguir a intenção de desmascarar a decadência de ambientes com conotações mais positivas.



Para se filmar o brilho e os holofotes há que conhecer bem a sombra, afinal ela é parte integrante da luz. Darren Aronofsky sabe-o e encenou uma versão contemporânea do Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, lançando Natalie Portman para a ribalta como fez com Mickey Rourke. Cisne Negro, um dos mais antecipados filmes do ano, foca-se maioritariamente na personagem principal, uma bailarina no universo competitivo do ballet, em meio a paranóia, suspense e alguns toques de terror. A câmara é íntima, criando uma metáfora sobre a perda da inocência. A obsessão pela perfeição cria ambiguidade e um duelo entre a pureza e a sua perda, um processo de transformação que envolve libertação e passagem para a vida adulta. Uma busca pelo auto-conhecimento através da sexualidade efectivamente explorada de uma forma erotizada, perfeitamente justificável, contudo profundamente arrojada comparativamente com os dois pesos pesados da próxima edição dos Óscares: The Social Network e The King’s Speech. Enquanto estes dois primam pelo formalismo e por isso têm claras hipóteses de triunfar, Cisne Negro não o faz e assume o conceito artístico da trama, ao mesmo tempo que não teme o politicamente incorrecto ou a exploração de um género, visto muitas vezes como menor, que é o terror.



E falamos em terror porque quando se perde a lucidez e quando a mente se confunde, perde-se tudo e isso sim aterroriza. Ao mesmo tempo que o cineasta explora essa temática, tanto a certeza como a dúvida se instalam no espectador, daí que o filme exerça uma influência hipnotizadora no espectador. E explora os nossos próprios receios: a perda da sanidade é o principal. É também a exploração da pressão e das expectativas – as pessoas e as colectivas – tão bem personificada pela personagem de Barbara Hershey: ainda obcecada pelo palco que nunca chegou a ocupar, que num tom condescendente de piedade crítica, tanto protege como pressiona a sua filha, exageradamente. É verdade que tudo isso é filmado com apontamentos tanto originais como cliché – os espelhos, as mudanças físicas – mas o arrojo num tipo de cinema completamente formatado e sujeito a normas sociais é de louvar. A dimensão sexual da história original que poucos se arriscaram a filmar é única e rica que conclui numa dinâmica intensa.

O elenco é brilhante. Fala-se de Natalie Portman e justamente como a principal vencedora dos Óscares – se Annette Bening não lho roubar. A sua entrega é total: física e emocional. Desgastante, perfeita como a que a sua personagem quis atingir, desprendida, em plena e constante mutação. É magistral, cheia de nuances, versátil. Complicado reunir em poucas palavras a dimensão que a actriz conseguiu trazer ao filme e a plataforma que este papel vai ser para a sua carreira. Mila Kunis – uma jovem a ter debaixo de olho – depois de performances interessantes e competentes, tem também aqui uma prestação carismática, antagónica da sua protagonista, no seu desprendimento e segurança. Barbara Hershey, como já referido em cima, tem um desempenho excelente, num papel assustador no seu realismo e absoluto controlo. Winona Ryder, num excelente regresso ao cinema, numa participação pequena com algumas semelhanças com a sua biografia. E por fim, uma personagem curiosa pelas mãos do francês Vincent Cassel, a faísca para a transformação, para a apoteose final.



Cisne Negro é tecnicamente exímio. A fotografia (Matthew Libatique) e a direcção artística (David Stein), focadas entre o preto e o branco – num claro simbolismo sobre a dualidade – e o temporariamente rosa – a ingenuidade da protagonista – que depois culmina no vermelho – referência ao processo de amadurecimento (a dada altura, a protagonista esconde sangue com uma toalha cor-de-rosa). Subtil, mas absolutamente essencial para transmitir todo o ambiente da trama. O mesmo se passa com a banda sonora de Clint Mansell, claramente baseada na original de Tchaikovsky, mas que contribui positivamente em todos os momentos – destaque ainda para o confronto entre o arrojado e o formal, entre o clássico e o pop numa das polémicas cenas, composta pelos The Chemical Brothers. O mesmo se passa com o guarda-roupa, montagem e edição sonora.

A história nunca esconde o seu final. É previsível, mas absolutamente digno. Cisne Negro culmina num grand finale digno de uma super-produção de ballet. Sufocante, abismal, estarrecedor, absolutamente devastador e que dificilmente nos sairá da mente nos próximos anos. A dada altura o director da companhia de ballet diz que «perfeição técnica não supera a necessidade de emoção». Cisne Negro consegue os dois. «I was perfect».



Classificação:

"Midnight in Paris", de Woody Allen, será filme de abertura do Festival de Cannes 2011



O Festival de Cannes, verdade seja dita, vive muito de glamour da Riviera Francesa e das celebridades que por lá passeiam. Daí que seja de entender os filmes que nos últimos anos têm vindo a servir de abertura a um dos mais importantes festivais cinematográficos do mundo. Tudo para justificar uma dezena de grandes estrelas de Hollywood e do mundo internacional do cinema e encher a passadeira vermelha. Nada contra.

Este ano e depois de Robin Hood, de Ridley Scott, o escolhido foi Woody Allen - Cannes adora-o, mas raramente o coloca em competição - e o seu novo filme, curiosamente com a bela Paris como pano de fundo: Midnight in Paris. Depois de uma nova e amena incursão por Londres, com You Will Meet a Tall Dark Stranger (2010) e que chegou a ser exibido fora de competição na edição anterior do Festival de Cannes, espera-se que o cineasta consiga recuperar o talento e originalidade de anos atrás.

O director do festival Thierry Frémaux afirmou que «Midnight in Paris é uma maravilhosa carta de amor a Paris. É um filme em que Woody Allen dá um vislumbre mais profundo dos problemas levantados em filmes anteriores: a nossa relação com a história, arte, prazer e vida. A sua 41.ª obra revela, mais uma vez, a sua inspiração.» O filme conta com Rachel McAdams, Owen Wilson, Michael Sheen, Kathy Bates, Tom Hiddleston, Mimi Kennedy, Kurt Fuller, Nina Arianda, Marion Cotillard, Adrien Brody, Léa Seydoux até Carla Bruni.

O Festival de Cannes 2011 decorrerá de 11 a 22 de Maio.

Visual Effects Society 2010: Os vencedores



A poucos dias da cerimónia dos Óscares que culminará com a temporada de prémios cinematográficos do ano, foram anunciados os vencedores da Visual Effects Society. Inception e How To Train Your Dragon são os principais.

Melhores efeitos visuais num filme baseado neles
Inception

Melhores efeitos visuais num filme
Hereafter

Melhor animação num filme de animação
How to Train Your Dragon

Melhor personagem animada num filme em live action
Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 - Dobby

Melhor personagem animada num filme de animação
How to Train Your Dragon – Toothless

Melhores efeitos animados num filme de animação
How to Train Your Dragon

Melhor criação de ambiente em filme live-action
Inception - Paisagem de Paris

Melhores modelos e miniaturas num filme
Inception - Destruição da fortaleza hospitalar

Melhor Composição num filme
Inception - Sequência do tsunami


Leia também:

Polémica The Kennedys já tem data de estreia


The Kennedys tem tido um dos percursos mais acidentados dos últimos tempos em séries de televisão. Aquela que seria a primeira mini-série de ficção do History Channel teve de passar por inúmeras revisões a nível de argumento, já que se pretendia que, apesar de ficcional, a série dramatizasse os factos tal como terão ocorrido e sem erros históricos. Entretanto, aquando do seu término, o canal anunciou que a série afinal não seria exibida por não corresponder aos seus padrões de veracidade histórica. Hoje foi finalmente anunciada a venda da série a outra estação americana.

Desde que a produção da série foi anunciada em 2009 que o canal tinha vindo a receber duras críticas por parte de políticos de esquerda e historiadores, especialmente porque o produtor Joel Surnow era conhecido por ser Conservador e portanto com maior tendência a adoptar um tom crítico. Além disto, diz-se que terão sofrido pressões por parte da própria família Kennedy, que não estaria contente por ver uma série deste teor ser lançada no ano de comemoração do 50.º aniversário da eleição de John F. Kennedy e do período posteriormente conhecido como Camelot.

O conteúdo da série estará também na base deste descontentamento, uma vez que JFK é retratado como um viciado em sexo, a existência de sugestões de que o Muro de Berlim terá sido ideia sua e também um cenário pouco agradável ao público americano, tradicionalmente religioso, em que o pai do ex-presidente parte um crucifixo. 


Não querendo vender a mini-série a um canal que representasse uma forte concorrência, o History Channel tornou as negociações da estreia em território americano conturbadas. Apesar de tudo, a série estava já vendida a um canal canadiano, pelo que não ficaria na prateleira. Assim, a estação aprovou a venda da série ao Reelz, um canal privado que chega a cerca de 60 milhões de residências.

The Kennedys tem 8 episódios e a acção terá o seu ponto de partida em 1960, ano de eleições, e termina 8 anos depois com o assassinato de Robert. Contudo, a série irá interligar-se também com o passado dos dois irmãos, John e Robert, e seus relacionamentos com a família. Do seu elenco fazem parte Katie Holmes, Greg Kinnear, Barry PepperTom Wilkinson e Chris Diamantopoulos, entre outros. A série terá a sua estreia mundial no dia 3 de Abril, no Reelz Channel, com a exibição dos dois primeiros episódios.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Estreias 03 Fevereiro'11: Black Swan, Casino Jack, Secretariat, The Green Hornet

Dia 03 de Fevereiro, pode contar com as seguintes estreias numa sala de cinema perto de si:

Destaques:
Cisne Negro (Black Swan)

Ano: 2010
Realização: Darren Aronofsky
Argumento:
Mark Heyman e Andres Heinz
Género: Thriller
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder e Benjamin Millepied
Nina (Natalie Portman) pertence à companhia de Ballet de Nova Iorque e praticamente todos os dias da sua vida foram dedicados à dança. Erica (Barbara Hershey), sua mãe, é uma ex-bailarina cuja única obsessão é ver a sua filha triunfar e que, por essa razão, controla todos os seus movimentos. Quando Thomas Leroy (Vincent Cassel), o director artístico da companhia, decide substituir a intérprete principal no imortal "O Lago dos Cisnes", de Tchaikovsky, Nina aparece como uma das escolhas mais prováveis. Mas Lily (Mila Kunis), uma outra jovem em ascensão, revela algumas características essenciais ao papel que faltam a Nina. Assim, à medida que as duas raparigas se tornam cada vez mais próximas, a doce Nina começa a revelar o seu lado mais negro... Realizado por Darren Aronofsky ("A Vida não é um Sonho", "O Último Capítulo" e "O Wrestler"), um thriller psicológico sobre a dicotomia entre o Bem e do Mal, latente na personalidade de todos os seres humanos. Depois da sua estreia na 67.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, foi nomeado para cinco categorias na próxima edição dos Óscares, entre os quais melhores filme, actriz (Natalie Portman) e realizador (Darren Aronofsky).

Outras sugestões:

Casino Jack - O Dinheiro dos Outros (Casino Jack)

Ano: 2010
Realização: George Hickenlooper
Argumento: Norman Snider
Género: Biopic
Elenco: Kevin Spacey, Barry Pepper e Jon Lovitz
O retrato de Jack Abramoff (Kevin Spacey) que, em 2006, se viu envolvido num escândalo de corrupção que envolveu vários funcionários do Congresso Americano durante a Administração de George W. Bush. O filme segue a carreira de Abramoff e do seu protegido Michael Scanlon (Barry Pepper) em Washington até ao momento da sua condenação a seis anos de prisão por conspiração, fraude e evasão fiscal. O filme, inspirado num dos maiores escândalos de corrupção da última década, tem realização de George Hickenlooper ("Homem de Aluguer", "Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol") e argumento de Norman Snider. O verdadeiro Jack Abramoff foi, após quase cinco anos de prisão efectiva, posto em liberdade em Dezembro de 2010.


Secretariat (Secretariat)

Ano: 2010
Realização: Randall Wallace
Argumento: Mike Rich e William Nack
A vida de Penny Chenery (Diane Lane), uma comum mãe de família, muda radicalmente quando decide gerir a herdade de criação de cavalos do pai, no estado de Virgínia, EUA. Assim, contra todas as probabilidades e unindo-se ao experiente e excêntrico treinador Lucien Laurin (John Malkovich), Penny consegue tornar-se num grande exemplo de sucesso num território maioritariamente masculino, conseguindo com que "Secretariat", o seu jovem cavalo, se transforme num campeão ao ser o primeiro a vencer a Tríplice Coroa em 25 anos. Produzido pelos estúdios Walt Disney e realizado por Randall Wallace ("O Homem da Máscara de Ferro", "Fomos Soldados..."), "Secretariat" tem por base o livro homónimo de William Nack, que se inspira numa história verídica acontecida em 1973. O cavalo, que permanece como o único animal a figurar a lista dos "50 Maiores Atletas do Século" da ESPN (The Entertainment and Sports Programming Network), foi capa das revistas "Time", "Newsweek" e "Sports Illustrated".

Green Hornet (The Green Hornet)

Ano: 2010
Realização: Michel Gondry
Argumento: Seth Rogen e Evan Goldberg
Género: Comédia, Acção
Elenco: Seth Rogen, Jay Chou, Christoph Waltz, Cameron Diaz e Tom Wilkinson
Depois da morte súbita do pai (Tom Wilkinson), Britt Reid (Seth Rogen) torna-se no único herdeiro da fortuna da sua família. Se, até aí, a sua existência tinha sido calmamente amparada pelo seu progenitor, tudo muda com a sua morte e ele sente-se perdido. Porém, o relacionamento com Kato (Jay Chou), o jovem e extraordinariamente criativo mordomo da mansão, torna-se cada vez mais profundo e inspirador. E é assim que os dois rapazes começam a delinear um plano para as suas vidas: Britt transforma-se em Green Hornet, um misterioso super-herói, e Kato no seu parceiro, numa luta contra os malfeitores. À medida que começam a compreender os esquemas do mundo do crime, percebem que, para conseguir os seus objectivos, terão de começar por destruir o mais perigoso de todos os vilões: Benjamin Chudnofsky (Christoph Waltz). Com realização de Michel Gondry ("O Despertar da Mente", "A Ciência dos Sonhos", "Por Favor Rebobine"), é baseado num herói radiofónico criado por George W. Trendle e Fran Striker nos anos 1930 e na série de TV que, 30 anos depois, teve Bruce Lee como protagonista.
Sinopses: Cinecartaz Público

Passatempo O Diabo Veste Prada


O Diabo Veste Prada já foi reeditado várias vezes, mostra do sucesso que alcançou.
Em boa parte graças à memorável performance de Meryl Streep como Miranda Priestly, a editora de moda sem piedade da sua mais recente assistente.
Para se habilitarem a ganhar um de dois exemplares disponíveis deste livro bastará que nos enviem uma crítica ao filme ou um texto que aborde as semelhanças e diferenças entre o livro e o filme, ao estilo da nossa secção Páginas vs. Fotogramas.
Os melhores trabalhos, seja qual for a forma escolhida, serão premiados e publicados aqui no blog. Por isso mesmo, pedimos trabalhos bem pensados, e daremos um prazo de participação mais alargado do que o habitual.
Ficamos à espera das vossas participações.


Regulamento:
- O passatempo decorre até às 23:59 do dia 21 de Fevereiro, sendo excluídas todas as respostas que chegarem depois desse prazo.
- Para participarem terão de preencher o formulário aqui apresentado com todos os dados solicitados.
- Os premiados serão escolhidos por um júri constituído por elementos do Split Screen entre todos aqueles que apresentarem uma participação válida e a escolha será definitiva a menos que se apresente um caso de fraude.
- O Split Screen reserva-se o direito de fazer uma selecção das respostas validadas quando se apresentarem circunstâncias duvidosas da legitimidade da origem das mesmas.
- O nome dos vencedores será publicado neste blogue e os mesmos serão avisados por email.
- Só serão permitidas participações a residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.
- Os custos associados ao envio dos prémios ficará a cargo dos participantes.
- O envio dos prémios ficará a cargo do Split Screen, não sendo este responsável por quaisquer danos ou extravios dos mesmos.
- Em caso de não concordar com alguma destas regras, deverá abster-se de participar.

Bastidores da mini-série Mildred Pierce



Uma das mini-séries mais aguardadas dos últimos tempos está quase a chegar. Mildred Pierce, baseada no romance homónimo de James M. Cain, conta com um elenco de luxo, do qual fizeram parte mais de 200 figurantes. A série conta com actores como Kate Winslet (premiada pela Academia na categoria de Melhor Actriz), Melissa Leo (nomeada a dois Óscares e provável vencedora do de Melhor Actriz Secundária por The Fighter), Evan Rachel Wood (que participa na série True Blood e no recente filme de Woody Allen, Whatever Works) e Guy Pearce (vencedor de vários prémios pelo seu papel em Memento).

A HBO lançou hoje um vídeo onde os actores e o realizador falam sobre a série e sobre a dedicação de Kate Winslet, bem como aquilo que os apelou a fazer parte da equipa. A série desenvolve-se à volta de Mildred, que acabou de se tornar mãe solteira de duas raparigas em pleno início da Grande Depressão e decide abrir um restaurante para poder viver.



Retrospectiva 2010: Os melhores filmes

Finalizamos assim a nossa retrospectiva de 2010, com especial destaque para o top 10 dos meus filmes preferidos do ano. A lista completa-se até aos 38 melhores filmes de 2010.


1. Anticristo


2. Um Homem Singular



3. O Laço Branco



4. Lola



5. Mother - Uma Força Única


6. José e Pilar


7. Shirin


8. O Escritor Fantasma



9. A Rede Social



10. Mistérios de Lisboa


11. Cópia Certificada
12. O Segredo dos Seus Olhos
13. Canino
14. Os Miúdos Estão Bem
15. Toy Story 3
16. Eu Sou o Amor
17. Fantasia Luistana
18. Uma Outra Educação
19. A Estrada
20. O Sítio das Coisas Selvagens
21. Bright Star - Estrela Cintilante
22. Como Treinares o Teu Dragão
23. Shutter Island
24. Tudo Pode Dar Certo
25. Kick-Ass - O Novo Super-Herói
26. City Island - Segredos à Medida
27. Entrelaçados
28. Cela 211
29. A Cidade
30. Nas Nuvens
31. Thirst - Este é o Meu Sangue...
32. Aquário
33. Águas Agitadas
34. Scott Pilgrim Contra o Mundo
35. A Teta Assustada
36. A Origem
37. Machete
38. Até ao Inferno

Tu Que Vives, por Carlos Antunes




Título original: Du Levande
Realização: Roy Andersson
Argumento: Roy Andersson
Elenco: Jessika Lundberg, Elisabeth Helander e Björn Englund

Não fosse por acreditar que a publicação de banda desenhada Portuguesa na Suécia fosse tão esparsa como a estreia de cinema Sueco em Portugal, diria que Roy Andersson leu A Pior Banda do Mundo.
Tal como na obra de José Carlos Fernandes, há um espaço que se caracteriza pelos eventos dos seus habitantes.
Eventos com a tristeza da estranheza e o humor do reconhecimento. Exageros da realidade possível, roçando o absurdo (de nós próprios).


Cada episódio é um quadro do qual não se desvia o olhar. Fascínio visual num delírio de ressonâncias com o ponto de vertigem para onde caminham todas as vidas modernas.
O desabrigo e a frieza de alguns cenários são os companheiros ideais para o olhar severo, nunca contrito, do realizador para com as suas personagens.
A nossa obrigação é olhar e aguentar as queixas que fazem directamente para o lado de cá do ecrã. Porque também destes personagens retiramos o humor cortante e cruel de quem não quer que se apaziguem.


Alguns dos episódios são como pequenos aquários observados por outras das personagens. Ligações ténues, inconcretizáveis porque a distância é a regra.
A tristeza está em tudo o que se vê, silenciado e cinzento, preenchido por personagens e vazio de existência.
O "Tu" do título é o espectador. Ou espera-se que seja o espectador, que ainda vai a tempo de ser comparar com os que (talvez) já não vivam ali no ecrã.
Ninguém se rirá em voz alta deste filme mas sofrerá pelo riso castigador do reconhecimento desta reconstrução da sociedade em estado de fuga.


Tu Que Vives é um filme único, verdadeiramente único. Por mais que se procurem combinações de semelhanças para o tornar um pouco mais óbvio, ele permanecerá uma bela incógnita.
Não sei se há um género aqui criado, mas há uma aprendizagem a fazer com um filme assim, sem convenções mas empático, identitário de quem o fez e indicativo para quem o vê.
E só vendo, realmente, se pode julgar o filme. Apreciá-lo ou rejeitá-lo, mas afirmar-se perante ele.