quarta-feira, 2 de março de 2011

Cinemas no Mundo (VI)

A nossa enviada especial Ana Santos continua a contribuir para a rubrica Cinemas no Mundo e enviou-nos desta vez fotos de dois cinemas no centro da cidade de Madrid, próximos da Puerta del Sol.


Asociacón de la Prensa | Madrid, Espanha


Cines Callao | Madrid, Espanha
Fotos enviadas por Ana Santos

Podem participar nesta rubrica enviando as vossas fotos para splitscreen.blog@gmail.com.

Fantasporto 2011: Dia 4 (Secção Competitiva)

Num dia em que a sessão da noite era constituída por filmes exibidos durante o pré-Fantas, dedicamos este dia aos filmes que foram exibidos no Grande Auditório durante a tarde.

Miyoko poderia ser um bom filme, mas arrasta-se demasiado em contemplações estéticas para agarrar o espectador. Poder-se-ia dizer que é mais um ensaio artístico e delirante sobre a vida de Shinichi Abe, um pioneiro autor de manga que atravessa uma fase negra da sua vida. É um filme que não prende o espectador ao ecrã a não ser no próprio início, onde se intercalam imagens de manga e a vida real e onde se estabelece o mote do filme. Contudo, compreende-se o exagero e a melancolia da maior parte das cenas, agregando-se à fase esquizofrénica da vida do autor e ilustrando-a do ponto de vista de Abe e da devastação da sua vida pessoal e personalidade.

É possível, e bastante provável que este filme não traga nada de novo ao cinema, já que no fundo é um repisar de filmes do género em que facilmente se adivinha o final. Mas a verdade é que este é um daqueles filmes em que, tal como no argumento, o que interessa é a viagem e não o destino. Edoardo Leo consegue com este seu filme trazer de novo a comédia europeia e um filme que, não sendo excelente, é um óptimo entretenimento.


Nas sessões da noite do Grande Auditório foram exibidos os filmes The Chameleon e I Saw The Devil que já tivemos oportunidade de visionar no pré-Fantas, podem ver as respectivas críticas na cobertura ao dia 3 e dia 1.


Nota: é lamentável o descuido a nível do desfasamento som/imagem do primeiro filme e da projecção do segundo, onde por mais do que uma vez a imagem esteve cortada pela metade durante mais tempo do que seria recomendável.

terça-feira, 1 de março de 2011

Obituário: Jane Russel


21 de Junho de 1921 - 28 de Fevereiro de 2011

Faleceu aos 89 anos de idade, a actriz Jane Russell, vítima de problemas respiratórios. Uma das actrizes mais belas e aclamadas dos anos 40 e 50, contracenou com Marilyn Monroe em Gentlemen Prefer Blondes (1953) para depois protagonizar a resposta ao anterior: Gentlemen Marry Brunettes (1955). A sua carreira nunca foi além dos anos 60, com trabalhos pontuais nos anos 70 e 80.

Obituário: Gary Winick


1961 - 27 de Fevereiro de 2011

Faleceu, aos 49 anos de idade, o produtor e realizador Gary Winick, vítima de cancro no cérebro. Venceu o Urso de Cristal no Festival de Berlim por The Tic Code (1999) e o filme Pieces of April (2003), produzido por si, garantiu uma nomeação para o Óscar de Melhor Actriz Secundária a Patricia Clarkson. Mas tornou-se especialmente conhecido em comédias românticas como 13 Going on 30 (2004), Bride Wars (2009) e Letters to Juliet (2010), algumas delas verdadeiros guilty pleasures.

Razzie Awards 2011: Os vencedores



Um dia antes dos Óscares que (supostamente) premeiam o melhor do ano, foram divulgados também os vencedores (ou perdedores) dos prémios Razzie que premeiam o pior que se fez ao longo do ano de produção cinematográfica. The Last Airbender, de M. Night Shyamalan, dominou a noite, ao ganhar para Pior Filme, Pior Realizador, Pior Argumento e Pior Uso de 3D num Filme.

Pior Filme
  • The Last Airbender

Pior Realizador

  • M. Night Shyamalan por The Last Airbender

Pior Actor

  • Ashton Kutcher em The Killers e Valentine's Day

Pior Actriz

  • Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon em Sex and the City 2

Pior Actriz Secundária

  • Jessica Alba em The Killer Inside Me, Little Fockers, Machete e Valentine's Day

Pior Actor Secundário

  • Jackson Rathbone em The Last Airbender e The Twilight Saga: Eclipse

Pior Uso de 3D num Filme

  • The Last Airbender

Pior Casal ou Elenco

  • Todo o elenco de Sex and the City 2

Pior Argumento

  • The Last Airbender

Pior Sequela, Remake, Prequela ou afins
  • Sex and the City 2


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Prémios César 2011: Os vencedores



Em França foram anunciados há uma semana os vencedores dos prémios César, o mais importante galardão cinematográfico francês. The Ghost Writer, uma co-produção francesa, venceu quatro prémios (onde se inclui Melhor Realizador) e Des hommes et des dieux ganhou três, incluindo Melhor Filme.

Melhor Filme
Des Hommes Et Des Dieu

Melhor Filme Estrangeiro
The Social Network

Melhor Primeiro Filme
Gainsbourg: Vie Heroique

Melhor Documentário
Oceans

Melhor Filme de Animação
L’Illusioniste

Melhor Actor
Eric Elmosnino em Gainsbourg

Melhor Actriz
Sara Forestier em Le Nom Des Gens

Melhor Actor Secundário
Michael Lonsdale em Des Hommes Et Des Dieux

Melhor Actriz Secundária
Anne Alvaro em Le Bruit Des Glacons

Melhor Realizador
Roman Polanski em The Ghost Writer

Melhor Revelação Feminina
Leila Bekhti em Tout Ce Qui Brille

Melhor Revelação Masculina
Edgar Ramirez em Carlos

Melhor Argumento Original
Le Nom Des Gens

Melhor Argumento Adaptado
The Ghost Writer

Melhor Banda Sonora
Alexandre Desplat por The Ghost Writer

Melhor Som
Gainsbourg

Melhor Fotografia
Des Hommes Et Des Dieux

Melhor Montagem
The Ghost Writer

Melhor Guarda-Roupa
La Princesse De Montpensier

Melhor Direcção Artística
Les Aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec

Melhor Curta-Metragem
Logorama


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Independent Spirit Awards 2011: Os vencedores



Já vem tarde, mas a verdade é que antes de serem anunciados os Óscares, no dia anterior decorreu a cerimónia dos Independent Spirit Awards, os prémios do cinema independente que nos últimos anos nos tem trazido excelentes filmes. Embora Winter's Bone (7 nomeações) e The Kids Are All Right (5 nomeações) fossem os mais nomeados, quem acabou por se destacar foi Black Swan que venceu em todas as categorias para que estava nomeado, ganhando assim quatro prémios.

Melhor Filme
  • Black Swan

Melhor Realizador
  • Darren Aronofsky por Black Swan

Melhor Argumento
  • Stuart Blumberg e Lisa Cholodenko por The Kids Are All Right

Melhor Primeiro Filme
  • Get Low

Melhor Primeiro Argumento
  • Lena Dunham por Tiny Furniture

John Cassavettes Award
  • Daddy Longlegs

Melhor Actriz Principal
  • Natalie Portman em Black Swan

Melhor Actor Principal
  • James Franco em 127 Hours

Melhor Actriz Secundária
  • Dale Dickey em Winter's Bone

Melhor Actor Secundário
  • John Hawkes em Winter's Bone

Melhor Fotografia
  • Matthew Libatique por Black Swan

Melhor Documentário
  • Exit Through the Gift Shop

Melhor Filme Estrangeiro
  • The King's Speech (Reino Unido)

Acura Someone To Watch Award
  • Mike Otts por Littlerock (Realizador e argumentista)

Piaget Producers Award
  • Anish Savjani por Meek's Cutoff

Aveeno Truer than Fiction Award
  • Jeff Malmberg por Marwencol

Robert Altman Award
  • Please Give
  • Realizador Nicole Holofcener
  • Director de casting: Jeanne McCarthy
  • Elenco: Ann Guilbert, Rebecca Hall, Catherine Keener, Amanda Peet, Oliver Platt, Lois Smith, Sarah Steele

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Passatempo Até ao Inferno


O filme que marcou o regresso de Sam Raimi à mistura de comédia e horror que ele sabe fazer tão bem está agora em DVD pela mão da Pris Audiovisuais.
O Split Screen vai oferecer cinco exemplares do filme aos seus leitores.





Regulamento:
- O passatempo decorre até às 23:59 do dia 9 de Março, sendo excluídas todas as respostas que chegarem depois desse prazo.
- Para participarem terão de preencher o formulário aqui apresentado com todos os dados solicitados.
- Os premiados serão escolhidos aleatoriamente entre todos aqueles que apresentarem uma participação válida e a escolha será definitiva a menos que se apresente um caso de fraude.
- O Split Screen reserva-se o direito de fazer uma selecção das respostas validadas quando se apresentarem circunstâncias duvidosas da legitimidade da origem das mesmas.
- O nome dos vencedores será publicado neste blogue e os mesmos serão avisados por email.
- Só serão permitidas participações a residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.
- Os custos associados ao envio dos prémios ficará a cargo dos participantes.
- O envio dos prémios ficará a cargo do Split Screen, não sendo este responsável por quaisquer danos ou extravios dos mesmos.
- Em caso de não concordar com alguma destas regras, deverá abster-se de participar.

Blue Valentine - Só Tu e Eu, por Carlos Antunes


Título original: Blue Valentine
Realização: Derek Cianfrance
Argumento:
Derek Cianfrance, Cami Delavigne e Joey Curtis
Elenco: Ryan Gosling e Michelle Williams

Há algo de elucidativo na forma como Blue Valentine filma em simultâneo o nascimento e a morte de um amor.
Algo de conclusivo que evita explorar as variações do período intermédio em que o amor estagna e se esgota - todas únicas mas, afinal, todas iguais - mas se foca nos períodos balizadores dessas histórias.
Estes são os períodos que são inevitáveis, comuns a (quase) todos os casais e aqueles com os quais temos de aprender a viver apesar de saber que ocorrem. Sem nos deixarmos iludir por um que acabará nem nos deixarmos atormentar por outro que chegará.


A sua existência simultânea no ecrã, intercalada no tempo, não nos deixa render a uma única noção.
Conseguimos seguir a magia do surgimento do amor sem que nos percamos numa alegria incontrolada. E conseguimos seguir a dureza do seu apagamento sem que nos sintamos emocionalmente devastados.
Sentimos sem nos apegarmos a qualquer das circunstâncias porque a cada momento forte temos o contraponto do momento oposto da relação.
Em vez de se negarem, essas oposições criam ressonâncias do que poderá ter ficado por dizer, por definir, já que tanto o "início" como o "fim" correm depressa demais.


Estes são os momentos de indefinição, os momentos em que se aceitam ou se recusam mais pedaços da própria relação para tentar que ela perdure.
Muito do que fica por discutir quando se começa por encontrar a alegria volta para assombrar com silêncios o seu desaparecimento.
As omissões parecem aqui menos graves mas têm os efeitos mais prolongados. As bases da vida conjunta e da vida de costas voltadas assentam em esperanças e não na revelação absoluta de cada um.
Tal como o próprio casal não tem a certeza nem da sua felicidade nem da sua miséria, também o espectador pode acrescentar algo ao que vê.


Isto seria uma montanha russa emocional, mais devastadora do que qualquer uma das situações a solo, não fosse a delicadeza de Derek Cianfrance.
Trata-se de um realizador delicadamente procurando a razão que justifique um olhar atento mas não invasivo.
Como um caçador de borboletas que quer reter o milagre das cores à distância dos olhos apenas por um momento antes de libertar de novo a vida ao seu domínio.


As suas borboletas são, claro, os dois magníficos actores que criam as personagens e a sua relação ao mesmo tempo que descobrem como se deixar filmar.
O grau de improvisação de ambos sente-se, a interacção real como a vida, os resultados imprevisíveis.
Michelle Williams tem um papel um pouco mais ingrato pois ela está ora desalentada ora desconfiada. E é de Ryan Gosling a determinação aplicada à procura do encontro e do equilíbrio entre os dois.
Mas eles são um corpo único de actores, pulsante e reactivo, em vias de desmoronar. Um caso claro em que a soma das partes é um ensemble a merecer reconhecimento.



Fantasporto 2011: Dia 3 (Secção Competitiva)

Segunda-feira parece não ter sido o melhor dia para os espectadores do Fantasporto, pelo menos à noite no Grande Auditório. Alguns comentários menos positivos dos filmes ouvidos à saída do auditório, bem como algumas pessoas que desistiram a meio, especialmente no segundo filme da noite.

9:06 (2009), de Igor Sterk

Um filme com um bom conceito, que não consegue ser interessante ou mais que algo indefinido. Candidato da Eslovénia aos Óscares, é um interessante relato sobre obsessão. Quando se perde a vida, será que existe a possibilidade de se aproveitar a vida de quem a rejeitou? Pena que o filme nunca parte além do ambiente interessante que cria - o revelado pelo título é um deles - para as explicações, que simplesmente não existem, acabando por deitar por terra grande parte do esforço do filme. Falta-lhe um elo de ligação, algo coeso, que ligue toda a história. Igor Sterk é um realizador com potencial, mas o argumento não ajudava.

Fairycatcher (2009), de Kealan O'Rourke (curta-metragem)

Competente na recriação de um ambiente algo etéreo e de espírito claramente irlandês, mas nada mais que um argumento banal e preguiçoso.

The Tempest (2010), de Julie Taymor
Não é um filme fácil de ver. Talvez seja a sua longa duração, a temática, a sua linguagem arcaica ou o facto de ser uma versão claramente literal da história homónima de William Shakespeare. É uma obra interessante, diferente do habitual, mas também com algumas cenas mal aproveitadas. Falta-lhe alguma força na reconstituição daquela que era uma história de vingança e por isso algum fôlego, que em determinados momentos parece perder grande parte da energia, não a conseguindo conter para o clímax. De qualquer modo, Julie Taymor tanto consegue cativar nas cenas mais dramáticas, como mais cómicas - Russel Brand a mostrar que é a única que sabe fazer, mas fá-lo bem - como também as cenas mais etéreas e surreais. Curioso que estas últimas cenas remetem para algo que a cineasta fez e muito bem em Across the Universe (2007). De resto é muito literal e daí... diferente. Conhecendo a obra original talvez compreendesse melhor. Destaque para a grande Helen Mirren e também para Djimon Hounsou.